sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Patrick: um fruto do Sistema Preventivo


Ver-se, aos seis anos, sem pais, maltratado pelos parentes, com mais a responsabilidade de cuidar dos irmãos mais pequenos: eis infelizmente uma situação ideal para decidir-se a viver pelas ruas. Foi o que aconteceu a Patrick, que entretanto teve a sorte, grande, de achar quem lhe desse a possibilidade de voltar a sonhar. Vejamos a sua história contada em ANS:

Meu nome é Patrick Ngugi Gichuhi. Nasci em 1986 de uma família muito humilde. Sou o primeiro de seis filhos: tenho três irmãos e duas irmãs. Dispunha de uma linda família  que tanto cuidava de nós. Mais importante ainda: eu sonhava. Sonhava como qualquer outro rapaz que tem uma família que o possa ajudar a realizar seus sonhos. Entretanto, todos eles acabaram por se desvanecer com o passar de pouquíssimos anos...
Em 1991 meus pais se separaram: é que meu pai se dedicava, como trabalho, a traficar com maconha, passando a maior parte do tempo na cadeia, em vez de tomar conta da família. Minha mãe, depois de toda uma série de esforços para convencê-lo a mudar de profissão, chegara a um ponto de não mais volta: e foi embora, deixando-nos a todos nós.
Meu pai decidiu levar-nos à nossa casa de campo, em Nyeri, onde tínhamos parentes pelo lado de minha mãe; mas porque o pai não tinha com eles bons relacionamentos, em vez de levar-nos diretamente a meu avô, simplesmente descarregou-nos numa cidade vizinha, Kiganjo, encarregando-me de cuidar dos meus irmãos e de achar os meus parentes.
Depois de algum tempo achei quem me ajudou a encontrá-los. Mas, para minha grande surpresa, eles não foram nada hospitaleiros conosco. Além disso, havia maus tratos que se repetiam…. Não nos consideravam da família: viam-nos como um peso. Por tudo isso em 1992 eu e o meu irmão menor, deixamos Nyeri e fomos a Karatina, de onde depois de poucos dias partimos para Nairóbi. Ali nos tornamos ‘meninos de rua’.
Decidimos viver, mendigar, comer, e dormir sempre na rua. Isso durou dois anos. Em 1995 fomos presos como… parqueadores abusivos e enviados a um centro para a infância, em Kabete. Depois de um ano, porque ninguém viera a interessar-se por nós, o Ministério Público me perguntou o que desejava fazer. Ouvira falar, através de alguns rapazes, de um lugar chamado ‘Dom Bosco’, onde as crianças podiam ir à escola, receber comida e roupa, e, sem vacilar, disse que queria ser adotado por Dom Bosco.
Fui recebido pela comunidade salesiana de Nairóbi-Kariua, uma das sedes do programa “Bosco Boys”; e retomei os estudos. De ali, graças aos meus bons resultados escolares, fui inserido no primeiro grupo que, da escola salesiana, passava às escolas públicas de grau superior, completando todos os níveis e chegando, com a graça de Deus, até conseguir o Láurea em ‘International Business Administration’ (Administração Internacional de Empresas) com especialização em Finanças.

Sinto uma profunda gratidão pelos Salesianos de Dom Bosco por seu empenho e determinação em ajudar jovens como eu a dar um novo rumo à sua vida.

Como a eles agradeço também a todos os benfeitores e protetores.

Mas sobretudo agradeço ao nosso bom Senhor Jesus Cristo, que me concedeu obter estes meus sucessos. No fim, de fato, não seremos julgados por quantos diplomas tivermos obtido, ou por quanto dinheiro tivermos ganho, ou por quantas coisas grandes tivermos feito; mas pelo critério “tive fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber, era forasteiro e me recebestes, estava nu e me vestistes” (Mt 25,35-36). 


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