Ver-se, aos
seis anos, sem pais, maltratado pelos parentes, com mais a responsabilidade de
cuidar dos irmãos mais pequenos: eis infelizmente uma situação ideal para
decidir-se a viver pelas ruas. Foi o que aconteceu a Patrick, que entretanto
teve a sorte, grande, de achar quem lhe desse a possibilidade de voltar a
sonhar. Vejamos a sua história contada em ANS:
Meu nome é Patrick Ngugi
Gichuhi. Nasci em 1986 de uma família muito humilde. Sou o primeiro de seis
filhos: tenho três irmãos e duas irmãs. Dispunha de uma linda família que
tanto cuidava de nós. Mais importante ainda: eu sonhava. Sonhava como qualquer
outro rapaz que tem uma família que o possa ajudar a realizar seus sonhos.
Entretanto, todos eles acabaram por se desvanecer com o passar de pouquíssimos
anos...
Em 1991 meus pais se
separaram: é que meu pai se dedicava, como trabalho, a traficar com maconha,
passando a maior parte do tempo na cadeia, em vez de tomar conta da família.
Minha mãe, depois de toda uma série de esforços para convencê-lo a mudar de
profissão, chegara a um ponto de não mais volta: e foi embora, deixando-nos a
todos nós.
Meu pai decidiu levar-nos
à nossa casa de campo, em Nyeri, onde tínhamos parentes pelo lado de minha mãe;
mas porque o pai não tinha com eles bons relacionamentos, em vez de levar-nos
diretamente a meu avô, simplesmente descarregou-nos numa cidade vizinha,
Kiganjo, encarregando-me de cuidar dos meus irmãos e de achar os meus parentes.
Depois de algum tempo
achei quem me ajudou a encontrá-los. Mas, para minha grande surpresa, eles não
foram nada hospitaleiros conosco. Além disso, havia maus tratos que se
repetiam…. Não nos consideravam da família: viam-nos como um peso. Por tudo
isso em 1992 eu e o meu irmão menor, deixamos Nyeri e fomos a Karatina, de onde
depois de poucos dias partimos para Nairóbi. Ali nos tornamos ‘meninos de rua’.
Decidimos viver,
mendigar, comer, e dormir sempre na rua. Isso durou dois anos. Em 1995 fomos
presos como… parqueadores abusivos e enviados a um centro para a infância, em
Kabete. Depois de um ano, porque ninguém viera a interessar-se por nós, o
Ministério Público me perguntou o que desejava fazer. Ouvira falar, através de
alguns rapazes, de um lugar chamado ‘Dom Bosco’, onde as crianças podiam ir à
escola, receber comida e roupa, e, sem vacilar, disse que queria ser adotado
por Dom Bosco.
Fui recebido pela
comunidade salesiana de Nairóbi-Kariua, uma das sedes do programa “Bosco Boys”;
e retomei os estudos. De ali, graças aos meus bons resultados escolares, fui
inserido no primeiro grupo que, da escola salesiana, passava às escolas públicas
de grau superior, completando todos os níveis e chegando, com a graça de Deus,
até conseguir o Láurea em ‘International Business Administration’
(Administração Internacional de Empresas) com especialização em Finanças.
Sinto uma profunda
gratidão pelos Salesianos de Dom Bosco por seu empenho e determinação em ajudar
jovens como eu a dar um novo rumo à sua vida.

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