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sexta-feira, 25 de abril de 2014

Papa João Paulo II, Santo, e o Carisma salesiano

juan_pablo_ii (ANS – Roma) – Domingo, 27 de abril, será declarado Santo o Papa João Paulo II, Karol Wojtyła, nascido em Wadowice (Polônia), no dia 18 de maio de 1920, eleito Papa no dia 16 de outubro de 1978 e falecido em Roma, em 2 de abril de 2005.

A Igreja de Santo Estanislau Kostka, dos Salesianos, em Cracóvia (Polônia), foi a Igreja Paroquial frequentada por Karol Wojtyła durante a sua permanência em Dębniki, nos anos de 1938 a 1944. O jovem Wojtyła rezou com frequência na anexa capela de Maria Auxiliadora. Em fevereiro de 1940, conheceu ali o leigo Jan Tyranowski, hoje Servo de Deus (SdeD), que partecipava dos encontros religiosos dos jovens, encontros promovidos pelos padres salesianos. Nessa igreja, em 3 de novembro de 1946, domingo, celebrou uma de suas primeiras Santas Missas como neossacerdote, na presença dos fiéis.

No longo e fecundo pontificado, o Papa João Paulo II manifestou a sua paterna proximidade e o seu iluminado magistério à Família Salesiana. Todas as ocorrências mais importantes que se foram sucedendo através dos anos vêm sublinhadas pela bênção e, com frequência, pela presença do Santo Padre, especialmente por ocasião da Celebração do Centenário de Morte de Dom Bosco, “Ano de graça”, enriquecido de indulgências e de dons especiais. Nos dias 2-4 de setembro de 1988, visitou os Lugares Salesianos: a Casa da Infância de Dom Bosco e o templo do Colle, onde beatificou a menina Laura Vicuña; o ‘Duomo’, de Chieri; a Basílica de Maria Auxiliadora e os aposentos ("camerette") de Dom Bosco, em Valdocco; a Igreja de São Francisco de Assis, também em Turim. E no dia 24 de janeiro de 1989 proclamou oficialmente Dom Bosco “Pai e Mestre da Juventude”.

Nos numerosos encontros mantidos com os Salesianos e com outros grupos da Família Salesiana (como as visitas pastorais a Turim, as audiências concedidas aos membros dos Capítulos Gerais e do Conselho Geral), o grande Papa ofereceu e deixou uma autorizada mensagem relativa tanto à originalidade de «Santo» e de «Fundador» do nosso Pai, Dom Bosco, quanto às exigências e aos desafios de encarnação hoje do carisma salesiano (como o empenho educativo e pastoral pelos jovens, o ardor apostólico da evangelização e da missão, o envolvimento carismático e pastoral dos leigos).

_1_10_6_9_9_ As falas do Santo Padre brotavam simultaneamente de uma sentida preocupação pastoral e de uma pessoal e reconhecida simpatia por Dom Bosco: admirava-o como dom do Espírito de Deus à Igreja; convencido da sua grandeza profética, vivia em sintonia com a sua predileção pela juventude; admirava a sua original metodologia de educação à Fé, o critério oratoriano e a sensibilidade pelo mundo do trabalho, a abertura laical, o envolvimento da mulher, o audaz sentido de universalidade, e a predileção para com os pequenos e os pobres das classes populares. Em especial agradava-lhe sublinhar a sua intensa e operosa devoção mariana, intensamente eclesial e de especial atualidade nos tempos difíceis.

Por ocasião da Canonização de João Paulo II fazemos nosso o seu testemunho e o seu convite à santidade, que no decorrer do Pontificado nos lembrou através da canonização e beatificação de diversos membros da Família Salesiana. Especialmente em 2004,último ano da sua vida,o Papa doou à Família Salesiana o presente mais belo,beatificando alguns representantes dos Ramos oriundos da nossa Família:o P. Augusto Czartoryski,SDB;a Irmã Eusébia Palomino,FMA;Alexandrina Maria da Costa,Cooperadora e Sócia da ADMA (os três beatificados em 25 de abril de 2004,na Praça de São Pedro);e o Bv. Alberto Marvelli, Ex-aluno (em 5 de setembro de 2004, em Loreto).

Publicado em 25/04/2014

Papa João XXIII, Santo, e o Carisma salesiano

JUAN 23 (ANS – Roma) – Domingo, 27 de abril, será declarado Santo o Papa João XXIII, Angelo Giuseppe Roncalli, nascido em Sotto il Monte (Bérgamo) no dia 25 de novembro de 1881, eleito Papa em 28 de outubro de 1958 e falecido aos 3 de junho de 1963. Convocou o Concílio Ecumênico Vaticano II.

Mais de uma vez rejubilou-se João XXIII em recordar que, em menino, lia as ‘Leituras Católicas’, «primeiro e mais eficaz complemento à sua formação religiosa e civil», a par das ‘Vidas’ de meninos, escritas por Dom Bosco. Mui criança também soube pelo ‘Boletim Salesiano’, que chegava à sua casa, da morte de Dom Bosco.

Cultivou uma especial devoção a Maria Auxiliadora, cuja imagem, recortada de um número do ‘Boletim Salesiano’, pendia da parede ao lado da sua cama. Proclamou-a Padroeira do Concílio com os títulos de «Auxilium Christianorum, Auxilium Episcoporum », e no dia 28 de maio de 1963, já gravemente enfermo, benzeu com íntima comoção as duas coroas destinadas ao Quadro da Auxiliadora, na Basílica do ‘Sacro Cuore’, em Roma.

Em sua vida e em seu pontificado manifestou sempre uma grande simpatia por Dom Bosco e por toda a Obra salesiana: admirava a sua prodigiosa difusão por todo o mundo. Falava de Dom Bosco como do «Filho de Mamãe Margarida, no qual a centelha da graça de Deus soubera levar uma natureza simples, boa e inocente, a suscitar empresas tais que ainda maravilham a humanidade» (31 de janeiro de 1959). O amor a Dom Bosco lançara certamente raízes profundas em seu coração, também pelas admiráveis afinidades espirituais que havia entre os dois grandes homens de Deus: otimistas e abertos a tudo o que era bom; extremamente compreensivos e sumamente amáveis.

No discurso feito aos Salesianos Cooperadores, em 31 de maio de 1962, o Papa revelou o fascínio que sobre ele sempre exercera São João Bosco: «As empresas de Dom Bosco, considerado na sua completeza de eclesiástico perfeito na prática da oração, do testemunho pessoal íntimo e de ação, provocaram entusiasmos tais que fizeram com que um jovem encaminhado ao sacerdócio – qual fomos desde a idade de 14 anos – lhe imitasse os exemplos». Em 1960, concluindo solenemente o Sínodo Romano, na Basílica de São Pedro, dizia: «Hoje, domingo, 31 de janeiro, ocorre a comemoração litúrgica de São João Bosco. Este nome é um poema de graça e de apostolado: desde um minúsculo ‘borgo’ do Piemonte levou a glória e os sucessos da caridade de Cristo até aos confins mais distantes do Mundo».

 PAPA JOÃO XXIII e P. Ziggiotti, Sucessor de DB

Mas a prova mais extraordinária do seu amor a Dom Bosco, João XXIII dera-a um ano antes, quando decretara para o Apóstolo da Juventude as Honras Romanas junto com São Pio X. A comoção já tinha sido grande quando no domingo de 3 de maio de 1959 o Papa, por entre o tripúdio de uma incontável multidão, fora ao Templo de São João Bosco, em Cinecittà, para depor a sua oração aos pés do Santo que iluminara a sua juventude. Mas a comoção e a alegria atingiram o ápice no dia 11 de maio, quando o Vigário de Jesus Cristo quis que Dom Bosco tivesse as honras do triunfo pelas ruas de Roma e na Praça de São Pedro, ao lado do santo Papa Pio X. Falando àquela assembleia na Praça de São Pedro, o Papa dirigindo-se ao Santo modificou a conhecida frase dita a Dom Bosco por seus filhos «Roma te admira, Turim te ama», exclamando: «Todo o mundo te admira! Todo o mundo te ama!».

Publicado em 25/04/2014

sábado, 5 de abril de 2014

Os jovens perguntam ao Papa Francisco

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Cidade do Vaticano (RV) - Foi transmitida na noite desta quinta-feira pela televisão pública flamenga da Bélgica VRT, a entrevista que o Papa Francisco concedeu a alguns jovens belgas, em 31 de março passado, no estúdio do palácio apostólico, no Vaticano. A iniciativa nasceu de um projeto de comunicação da Pastoral da Juventude das Flandres: os jovens, acompanhados pelo bispo de Gent, Dom Lucas Van Looy, fizeram-lhe as perguntas em inglês e o Papa as respondeu em italiano.
Foi um encontro alegre e familiar, num clima de grande simplicidade: entre os jovens encontrava-se também uma jovem agnóstica que diz sentir-se inspirada pelas palavras do Papa Francisco.
Perguntaram-lhe, em primeiro lugar, por qual motivo aceitou a entrevista. O Papa respondeu que para ele é um serviço precioso falar à inquietude dos jovens. Depois, uma pergunta à queima-roupa: "O senhor é feliz? E por que é feliz?"
"Absolutamente! Absolutamente sou feliz (disse sorrindo)!... E é também uma felicidade tranquila, porque a esta idade não é a mesma felicidade de um jovem, há uma diferença. Mas uma certa paz interior, uma paz grande, felicidade, que chega com a idade, também. E inclusive com um caminho que sempre teve problemas. Também agora existem problemas, mas essa felicidade não vai embora com os problemas, não: enxerga os problemas, sofre por causa deles e segue adiante, faz algo para resolvê-los e segue adiante. Mas no fundo do coração há esta paz e esta felicidade. Para mim, verdadeiramente, é uma graça de Deus. É uma graça! Não é mérito próprio."

 

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Os jovens perguntaram o motivo de seu grande amor pelos pobres: "Porque é o coração do Evangelho", respondeu Francisco:
"Para mim, o coração do Evangelho é dos pobres. Dois meses atrás ouvi que uma pessoa disse, por isto, por falar sobre os pobres, por ter essa preferência: "Esse Papa é comunista!" Não. Essa é uma bandeira do Evangelho, não do comunismo: do Evangelho! Mas a pobreza sem ideologia, a pobreza... E por isso creio que os pobres estão no centro do anúncio de Jesus. Basta ler o Evangelho. O problema é que depois, algumas vezes, na história, essa postura em relação aos pobres foi ideologizada."
A jovem agnóstica perguntou ao Papa qual é a mensagem que ele tem para todos os jovens:
"Todos somos irmãos, crentes, não crentes, desta ou de outra confissão religiosa, judeus, muçulmanos... todos somos irmãos! O homem está no centro da história, e isso para mim é muito importante: o homem é o centro. Neste momento da história o homem foi tirado do centro, foi jogado na periferia, e no centro – ao menos neste momento – está o poder, o dinheiro, e nós devemos trabalhar em prol das pessoas, do homem e da mulher, que são a imagem de Deus."
Hoje "entramos numa cultura do descarte", prosseguiu o Papa. "As crianças são excluídas – não se quer crianças, queremos menos crianças, famílias pequenas: não se quer crianças. "
"Os anciãos são excluídos: muitos deles morrem em decorrência de uma eutanásia escondida, porque não se cuida deles e acabam morrendo. E agora os jovens são excluídos."
O Santo Padre recordou que na Itália o desemprego juvenil dos 25 anos abaixo é de quase 50%. Mas recordando seus encontros com alguns jovens políticos argentinos, afirmou ter confiança neles e na vontade deles de concretude:
"E fico contente porque eles, quer de esquerda, quer de direita, falam uma nova música, com uma nova música, um novo estilo de política. E isso me dá esperança. E creio que a juventude, neste momento, deve assumir a luz e seguir adiante. Que sejam corajosos! Isso me dá esperança."
Perguntado sobre a busca que o homem faz de Deus, o Papa respondeu:
"Quando o homem se encontra a si mesmo, busca Deus. Talvez não consiga encontrá-lo, mas segue num caminho de honestidade, buscando a verdade, por um caminho de bondade e um caminho de beleza... está num bom caminho e seguramente encontrará Deus! Mais cedo ou mais tarde o encontrará. Mas o caminho é longo e algumas pessoas não o encontram, na vida. Não o encontram conscientemente. Mas são muito verdadeiras e honestas consigo mesmas, muito boas e muito amantes da beleza, que acabam tendo uma personalidade muito madura, capaz de um encontro com Deus, que é sempre uma graça. Porque o encontro com Deus é uma graça."
Um jovem perguntou-lhe o que seus erros lhe ensinaram. O Papa Bergoglio afirmou que os erros são "grandes mestres de vida":
"Grandes mestres: os erros nos ensinam muito. Também nos humilham, porque alguém pode sentir-se um super-homem, uma super-mulher... e a pessoa erra e isso a humilha e a coloca em seu lugar. Não diria que aprendi com todos os erros que cometi: não, creio que não aprendi com alguns deles, porque sou cabeça-dura (disse sorrindo) e não é fácil aprender. Mas dos muitos erros aprendi e isso me fez bem, me fez bem. E também reconhecer os erros. Errei aqui, errei ali, errei acolá... E também o estar atento para não voltar ao mesmo erro."
Uma jovem perguntou-lhe: "Teria um exemplo concreto de como aprendeu a partir de um erro?":
"Por exemplo, na condução da vida da Igreja: fui nomeado superior muito jovem e cometi muitos erros com o autoritarismo, por exemplo. Eu era muito autoritário: tinha 36 anos... Depois, aprendi que se deve dialogar, que se deve ouvir o que os outros pensam... Mas não foi aprendido uma vez por todas! É um caminho longo."
Por fim, a última pergunta dos jovens ao Papa foi particular: "O senhor teria uma pergunta para nós?":
"A pergunta que gostaria de fazer-lhes não é original. Tomo-a do Evangelho. Onde está o seu tesouro? Essa é a pergunta. Onde repousa o seu coração? Em que tesouro repousa o seu coração? Porque onde estiver o seu tesouro será a sua vida... Essa é a pergunta (disse sorrindo), mas devem respondê-la a vocês mesmos, sozinhos, em casa..." (RL)

quinta-feira, 3 de abril de 2014

O Papa Francisco ao CG27

Caros Irmãos,blog 1 
sejam bem-vindos!

Agradeço ao P. Ángel por suas palavras. A ele e ao novo Conselho Geral faço votos por que saibam servir, guiando, acompanhando e sustentando, a Congregação Salesiana em seu caminhar. O Espírito Santo os ajude a colher as expectativas e os desafios do nosso tempo, especialmente dos jovens, e a interpretá-las à luz do Evangelho e do seu Carisma.

            Imagino que durante o Capítulo – cujo tema é “Testemunhas da Radicalidade Evangélica” – tenham sempre tido perante os olhos Dom Bosco e os Jovens. Dom Bosco reforçava o seu lema «Da mihi animas, cetera tolle» com mais dois elementos: ‘Trabalho e Temperança’. (Eu me lembro que no colégio não se permitia a sesta!… ‘Temperança’! Para os salesianos e para nós!) «O trabalho e a temperança – dizia – farão florir a Congregação». Quando se pensa em trabalhar pelo bem das almas, supera-se a tentação da mundanidade espiritual: não se buscam outras coisas; somente Deus e seu Reino. Temperança, pois, é comedimento, contentar-se, ser simples. A pobreza de Dom Bosco e de Mamãe Margarida inspire, a cada salesiano e a cada uma da suas comunidades, uma vida essencial e austera, proximidade aos pobres, transparência e responsabilidade na gestão dos bens.

            1. A evangelização dos jovens é a missão que o Espírito Santo lhes confiou na Igreja. Ela está estreitamente unida à sua educação: o caminho de fé se insere naquele do crescimento e o Evangelho enriquece ‘também’ o amadurecimento humano. É preciso preparblog 2ar os jovens para trabalhar na Sociedade segundo o espírito do Evangelho, como fautores de justiça e de paz, e a viver como protagonistas na Igreja. É para isso que todos se valem dos necessários aprofundamentos e atualizações pedagógicos e culturais, para responder à atual emergência educativa. A experiência de Dom Bosco e o seu “Sistema Preventivo” os  sustentem sempre no empenho por viver com os jovens. A presença no meio deles se distinga por aquela ternura que Dom Bosco chamou 'amorevolezza', experimentando outrossim novas linguagens, mas bem sabendo que a do coração é a linguagem fundamental para aproximar-se e tornar-se seus amigos.

Fundamental aqui é a dimensão vocacional. Confunde-se por vezes a vocação à vida consagrada com uma opção de voluntariado: e esta visão distorcida não faz bem aos Institutos. O próximo ano 2015, dedicado à Vida Consagrada, será uma ocasião favorável para apresentar aos jovens a sua beleza. É preciso evitar em cada caso enfoques parciais, para não suscitar respostas vocacionais frágeis, sustentadas por motivações débeis. As vocações apostólicas são ordinariamente fruto de uma boa pastoral juvenil. O cuidado pelas vocações requer ‘atenções específicas’: antes de tudo a oração, depois atividades próprias, itinerários personalizados, a coragem da proposta, o acompanhamento, o envolvimento das famílias. A geografia vocacional mudou e está mudando, e isto significa novas exigências para a formação, acompanhamento, discernimento.

            2. Trabalhando com os jovens, deparar-se-ão com o mundo da exclusão juvenil. E isto é tremendo! Hoje, é tremendo pensar que há mais de 75 milhões de jovens sem trabalho, aqui, no Ocidente. Considere-se a vasta realidade da desemprego, com tantas consequências negativas. Pensemos nas dependências, que infelizmente são multíplices, mas que derivam da comum raiz da falta de um verdadeiro amor. Ir ao encontro dos jovens marginalizados requer coragem, maturidade e muita oração. E a esse trabalho se devem mandar os melhores! Os melhores! Poderia haver o risco de deixar-se levar pelo entusiasmo, enviando a tais fronteiras pessoas de boa vontade, mas inadequadas. É por isso necessário um atento discernimento e um constante acompanhamento. O critério é este: para ali vão os melhores. Os melhores!

            3. Graças a Deus, Vocês não vivem nem trabalham isoladamente, mas em comunidades: e agradeçam a Deus por isto! É a comunidade que dá apoio a todo o apostolado. Tensões por vezes perpassam as comunidades religiosas, com o risco do individualismo e da dispersão, quando o de que se precisa mesmo é de comunicação profunda, de relacionamentos autênticos. A força humanizadora do Evangelho é testimunhada pela ‘fraternidade vivida’ em comunidade, feita de acolhimento, respeito, ajuda mútua, compreensão, cortesia, perdão, alegria. Muito ajuda neste sentido aquele espírito de família que Dom Bosco lhes deixou: favorece a perseverança e cria atração para a Vida Consagrada.

            Caros irmãos, o Bicentenário de Nascimento de Dom Bosco já está às portas. Será um momento propício para relançar o carisma do seu Fundador. Maria Auxiliadora nunca deixou faltar o seu auxílio na vida da Congregação. E tampouco o deixará faltar para o futuro. A sua materna intercessão lhes obtenha de Deus os frutos ansiosamente esperados.

            Abençoo e rezo por todos! Mas, por gentileza, rezem também por mim!
            Obrigado!

31.03.14

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

O Papa na Basílica do Sagrado Coração que construiu Dom Bosco

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(ANS – Roma) – Uma dia inesquecível para todos os que cotidianamente vão tornando viva a obra salesiana do ‘Sacro Cuore’, em Roma: salesianos, membros de outros grupos, comunidades religiosas, refugiados, jovens, família, idosos. A Visita pastoral do Papa Francisco, ocorrida na tarde de ontem, domingo, 19 de janeiro, foi um evento que deixou na alma de todos, um sinal da proximidade do Papa a todas as Pessoas.

Às 16 horas, o Papa Francisco chegou à casa salesiana, cheia de fiéis em todos os seus cantos, embora uma densa chuva granizada se fosse despejando com intemitências por sobre o povo reunido no pátio. Todavia, foi exatamente aos fiéis reunidos ao aberto que o Papa dirigiu a sua primeira saudação.

Sucessivamente o Papa foi-se reunindo com as diferentes realidades da Paróquia, reservando também neste caso uma especial atenção àqueles que a sociedade considera “os últimos”: os pobres e os sem fixa residência, que vão gravitando pela região da Estação ferroviária de Roma-Termini; e a seguir os refugiados, segundo o programa especialmente elaborado pela Comunidade do ‘Sacro Cuore’.

Qual Pastor de toda a população da Diocese de Roma, o Papa Francisco prosseguiu as saudações aos variados segmentos da comunidade paroquial: as crianças batizadas nos últimos meses e seus pais; os recém-casados e as jovens famílias; depois, com aquele gesto que já se tornou habitual, no decorrer das suas Visitas Pastorais às Paróquias romanas, atendeu em confissão a cinco penitentes.

Pouco antes das 18, o Santo Padre presidiu a missa na Basílica do Sagrado Coração, concelebrada também pelo Reitor-Mor, P. Pascual Chávez. Na homilia, partindo do Evangelho do dia, o Santo Padre recordou mais uma vez um ponto chave do seu magistério: a misericórdia de Deus que nunca se cansa de carregar-se dos pecados dos homens. Animados por essa consciência, o Papa também convidou os jovens a dirigir-se com Fé a Jesus.

Depois da missa o Papa cumprimentou os doentes e reuniu-se com a Comunidade salesiana, com o Pároco, P. Valerio Baresi, e com as Irmãs Missionárias do Cristo Ressuscitado. Presentes na ocasião também o Reitor-Mor; o seu Vigário, P. Adriano Bregolin; o Conselheiro para as Missões, P. Václav Klement; e o Conselheiro para a Região América Cone Sul, P. Natale Vitali.

Antes de voltar ao Vaticano, o Papa Francisco reuniu-se com os Jovens da Paróquia. Em clima absolutamente familiar, dialogou com o P. Salvador Policino SDB e com o P. Baresi; e com todos os meninos, adolescentes e jovens presentes, aos quais fez o mesmo apelo de «bagunçar o coreto» feito na Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro. Recordou-lhes também que, já desde a Idade Média, se esclareceu o conceito de que a Igreja está em constante renovação, pelo que os Agentes de pastoral, sem perder a própria identidade, são chamados a mudar metodologias, achar abordagens novas, a “sujar as mãos” para levar os homens a Deus.

Para concluir a intensa tarde, José, um dos jovens presentes, comentou: ‘Ficamos realmente impressionados como o Papa ia passando do tom sério ao afetuoso, ao brincalhão, sem que nada destoasse na sua falação. Realmente ninguém esperava por tanta ternura e paternidade... Uma coisa é ouvi-lo falar, vê-lo na tv: outro, vivê-lo”.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

A Comunicação Social e a Igreja em Moçambique

D. João Carlos Hatoa Nunes, Bispo Auxiliar de Maputo, é também o Presidente da Comissão Episcopal paras as Comunicações Sociais. O BS quis lhe entrevistar para sabermos qual é a ‘política’ que a CEM segue no âmbito da comunicação social.

Imagem7  Qual é a tarefa pastoral desta Comissão?

Esta pastoral da Comunicação Social, é a pastoral de ser e estar em comunhão, de ser e estar para o encontro entre as pessoas. A comunhão em vários sentidos. É dai onde parte tudo. O Deus da comunhão, que é um Deus Trinitario e dai deriva toda esta nossa maneira de fazer comunhão, acolhida, o poder integrar os esforços que nós fazemos para anunciar esta mensagem, esta Boa Nova que chegue em todos os lugares e em todos os sítios. Estamos ao serviço desta mensagem, desta Boa Nova, tornando-o possível através do encontro dos vários discípulos e seguidores de Cristo.

É um grande desafio para a Igreja, porque nesta Igreja concreta há alguns desafios como a questão dos recursos, a questão das distâncias, a questão do próprio entender que a mensagem cristã, o Evangelho, passa necessariamente por esta partilha, por este criar comunhão, criar comunidade. Isso é um trabalho que passa por todo o trabalho missionário da Igreja. Uma catequese que não tome em conta a comunicação está condenada a não ter bons frutos. Uma acção evangelizadora que não tem em conta a comunicação ou a relega a segundo ou terceiro plano, está condenada a não surtir efeitos e ter os frutos desejados. É uma área da Igreja que permeia toda a actividade da Igreja, passa por todos os âmbitos e acções da Igreja.

Como é a presença actual da Igreja em Moçambique nos MCS do nosso país?

A Igreja, naturalmente, passou por várias fases. Algumas eram bastante visíveis nesta questão. Mas, depois se foi reduzindo.

No período colonial, passando rapidamente, havia uma acção pastoral muito significativa. Me recordo do Bispo da Beira que tinha tipografias, tinha muitas obras ligadas a essa área. Muita divulgação também.

Depois veio o período da Independência. Uma Igreja que se olha a si mesma, Igreja ministerial. No 1977 tivemos a grande Assembleia. Uma Igreja que comunica-se a partir da base e que faz a comunhão e toda a comunicação era nas pequenas comunidades, ali muito humildemente.

Depois tivemos uma interrupção no nosso caminho, que foi a questão da guerra civil. Todos os esforços e toda a acção da Igreja era mais uma pastoral para a paz: cartas pastorais, etc... Ficou-se muito focalizada a acção da Igreja na busca da paz. Isso, de certa maneira, ofuscou, embora houvesse vários trabalhos feitos nesse sentido, alguns trabalhos pequenos . Mas era muito difícil. Faltavam as vias de aceso e tornavam-se difíceis os próprios encontros por causa da guerra.

Depois alcançamos os acordos de paz. Há também a nova Constituição. Começa a aparecer um pluralismo dos médias, um pluralismo de vários órgãos ligados à comunicação. Então é aí que aparecem várias rádios comunitárias, rádios da Igreja, na altura Rádio Maria aqui, a Rádio Encontro, a Rádio São Francisco em Pemba, em Nampula. Havia essas rádios que, inicialmente, até o projecto da Conferência (episcopal) eram inspirados naqueles ideais ainda do tempo colonial de termos uma grande emissora, um lugar que irradiasse todo esse trabalho, chegou-se a mandar pessoas a Portugal, etc… Mas, quando se voltou, houve o problema da legislação. Não estava prevista a questão da impressa privada. Era tudo para o Estado. Então esperou-se até que a Constituição de 1990 abriu o espaço para toda essa rede de comunicação. Então é que a Igreja começa a entrar sorrateiramente. Desfez-se o ideal anterior. Começou-se a trabalhar mais a nível de comunidades. Há rádios diocesanas que vão aparecendo. Há Boletins a nível de Diocese, que vão aparecendo. Há folhetos de Famílias (religiosas) específicas e também porque a facilidade de recursos materiais começa a desenvolver-se.

Agora o desafio é darmos um passo, porque trabalhamos em comunidades, sim, mas é preciso termos em conta o facto de sermos uma Igreja em Moçambique, termos um visão global. Esse facto já foi dado por algumas Famílias a nível mundial, que partilham a nível global vários periódicos. Mas nos falta como Igreja em Moçambique também termos um trabalho mais em conjunto e articulado.

O primeiro passo é termos consciência do bom que fizemos, do caminho percorrido, e a partir dessa consciência da realidade que existe e do caminho feito delinearmos novos objectivos, novos caminhos a percorrer para que também não fique só a nível de grupos específicos, mas fique também a nível de Igreja, como Igreja. Este é um desafio que temos agora.

Também, a questão dos novos meios de comunicação, das novas tecnologias. Nós, a Igreja, olhemos para estas possibilidades que o mundo da comunicação nos oferece como meios privilegiados para o anuncio do Evangelho. É um desafio, porque ainda temos muitos cristãos e muitas realidades que olham com determinado cepticismo para alguns espaços de comunicação que, porém, são privilegiados como possíveis espaços para o anuncio da evangelização.

Qual seria o seu sonho neste trabalho daqui a poucos anos, nós como Igreja…

O grande ideal que nós temos é sermos, de facto, uma Igreja que comunica, que anuncia, que se da a conhecer, partilhando aquilo que ela é, o seu ser Igreja, o seu ser Família de Deus, mas com características específicas de Moçambique. Queremos partilhar isso e também enriquecermos com base nessa partilha, acolhendo as experiências de outros quadrantes. São grandes desafios. Isso passa por uma mudança na maneira de ser e de estarmos e de encararmos esta realidade da comunicação. Porque muitas vezes, como é algo que passa de forma transversal, preparamos tudo menos este aspecto: como é que partilho este grande tesouro? Ficamos ainda em aspectos clássicos, como: que palavras vou usar?

A mensagem passa não só com a palavra. E a palavra melhor é Jesus Cristo e Jesus Cristo não só falou, mas agiu, viveu, chorou com quem chorou… Então, que sejamos pessoas de comunicação.

domingo, 1 de dezembro de 2013

Papa Francisco e a educação

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No dia 7 de Junho, o Papa jesuíta encontrou-se com os alunos das Escolas Jesuítas. Apresentamos no BS algumas afirmações do Papa que podem enriquecer o nosso trabalho educativo salesiano em tantas Escolas e Centros Profissionais que temos.

 
Lembrando a experiência inicial da ‘Companhia de Jesus’ (ou Jesuítas), o Papa lembra aos jovens das escolas que «Santo Inácio e os seus companheiros entenderam que Jesus ensinava a eles como viver bem, como realizar uma existência que tenha um sentido profundo, que dê entusiasmo, alegria e esperança; entenderam que JEsus é um grande mestre e um modelo de vida e que não somente os ensinava, mas os convidava também a segui-Lo neste caminho».
 
Imagem12 A Escola deve ser um lugar onde a criança e o jovem aprendem a ser MAGNÂNIMOS, isto é: « ter o coração grande, ter grandeza de alma, quer dizer ter grandes ideais, o desejo de realizar grandes coisas para responder àquilo que Deus nos pede, e propriamente para realizar bem as coisas de cada dia, todas as acções quotidianas, os compromissos, os encontros com as pessoas; fazer as coisas pequenas de cada dia com um coração grande aberto a Deus e aos outros. É importante então tratar a formação humana destinada à magnanimidade. A escola não amplia somente a vossa dimensão intelectual, mas também a humana».
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O educador, figura chave na escola, deve realizar a sua tarefa com qualidadae, pois: «Educar não é uma profissão, mas uma atitude, um modo de ser, para educar é necessário sair de si mesmo e estar em meio aos jovens, acompanhá-los nas etapas de seu crescimento e estar ao seu lado. Dar a eles esperança, optimismo para o seu caminho no mundo. Ensiná-los a ver a beleza e a bondade da criação e do homem, que conserva a marca do Criador».






domingo, 20 de outubro de 2013

O Papa fala do Beato Estevão Sándor


"Lembro a Estevão Sándor, que ontem dia 19 foi proclamado Beato a Budapest. Era um salesiano leigo, exemplar no serviço aos jovens, no oratório e no ensino profissional. Quando o regime comunista fechou todas as obras católicas, enfrentou as perseguições com coragem e foi morto com 39 anos. Nos unimos à acção de graças da Família Salesiana e da Igreja Húngara”  
(Papa Francisco no Ángelus do 20 outubro)

quarta-feira, 31 de julho de 2013

O P. Attard faz uma releitura dos discursos do Papa no Brasil

(ANS – Rio de Janeiro)- A JMJ, do Rio, terminou. Que fica? O P. Fábio Attard, Conselheiro Geral para a PJ, releu os discursos e a visita de Papa Francisco, evidenciando alguns aspectos.
Nestes dias vivemos no Rio uma experiência intensa, profunda. O Papa teve duas prioridades: reforçar a Fé dos jovens na Pessoa de Jesus e despertar as consciências daqueles que levam a responsabilidade pelo Bem Comum em suas várias formas: social, político, educativo, ético.

Confirmar a Fé dos jovens
Em todos os discursos aos jovens, buscou o Papa Francisco ter acesso aos seus corações, pedindo com gentileza encetar um diálogo. O Papa cuida de não pregar aos jovens, mas de falar-lhes com palavras e gestos simples, de coração aberto e relacionamento autenticamente humano.

Pediu aos jovens ouvirem a voz de Jesus em seu coração. Convidou-os a entrar no santuário da sua alma e ouvir em silêncio a mensagem do Cristo. Não receou pedir aos jovens darem este passo: o que pediu a eles é quanto os jovens sentem que ele mesmo pratica e vive. Aos jovens, o Papa pediu-lhes quanto lhe cabe como crente, fiel e pastor.

Papa Francisco, enfim, convidou os jovens a ‘fazer fuzarca’,palavra mui pouco ‘politicamente correta’, mas adaptada. Aos jovens pediu não submeter-se à cultura do descarte, da eutanásia. Convidou-os a serem protagonistas, a saberem dizer ‘sim’ à proposta do Evangelho: sem medo e de cabeça erguida. Ser discípulos não é um chamado ao intimismo, mas um caminho para superar modelos de Fé rígidos, acomodados, intimísticos. Na Missa em que se concluiu a JMJ, em Copacabana, disse-lhes: “Ide, sem medo, para servir”.

O despertar das consciências
É preciso estudar com calma e atenção dois discursos: o dirigido à classe dirigente brasileira e o, definido “discurso não formal”, aos Bispos do Brasil, que contém um mapa de navegação, rico de reflexões e propostas, tomadas do Documento de Aparecida.

A linha seguida pelo Papa nos dois discursos, apesar da diferença dos auditórios, é muito semelhante. O Papa Francisco pediu descobrir o verdadeiro chamado ao serviço. Aos Dirigentes propôs deixar-se conduzir por uma visão ética, alimentada pelo respeito à pessoa humana, à sua vida, aos seus direitos, às suas legítimas expectativas por um presente mais digno; aos Bispos pediu descobrir a verdadeira vocação do serviço, despertar um coração que esteja continuamente em atitude deconversão pastoral. Uma conversão que faz mudar de direção: de uma Igreja fria e rígida, a uma Igreja que nutra e se deixe nutrir; de uma Igreja fechada, a uma Igreja que seja Casa; de uma Igreja indiferente, a uma Igreja que saiba caminhar com os sofredores, que lhes sinta o grito e que se ponha a servi-los.

Uma reflexão pessoal: em Francisco não ouvimos palavras sobre a Fé, mas vimos a beleza da Fé em Jesus Cristo. Vimosgestos de caridade, de proximidade, de esperança. Gestos que foram ‘homilias’ contínuas, que tocaram o coração de todos. O ministério do Papa, no Rio, foi o ministério do gesto que se fez palavra: falou a todos e todos o compreendemos, e muito bem. Gestos que nos fazem refletir muito, que talvez nos tenha colocado em crise!
A linguagem do Papa Francisco é o testemunho. A sua mensagem é o gesto simples e autêntico: portanto, convincente. Nada de formal ou artificial. Os Jovens – observadores finos e sensíveis dos gestos de fachada e das palavras banais – viram nos gestos do Papa expressões de profunda caridade, de total liberdade, de completa doação de si mesmo. Quando cumprimentou os pequenos no palco, os milhões que lhe estavam na frente, por instantes desapareceram: contava quem lhe estava na frente que se via ouvido, benquisto, uma pessoa a que dava toda a sua atenção, o seu cordial sorriso, a sua bênção, e, depois, também a sua palavra.
A linguagem da cotidianidade compõe a teologia do Papa Francisco. Os  exemplos tomados da vida cotidiana contêm em pequenos comprimidos uma sabedoria pedagógica: algo que ele sabe entregar de modo direto, imediato e permanente, uma mensagem forte; de resto, Jesus ensinava com parábolas. Nos jovens, depois de ter ouvido o Papa Francisco, permanece a imagem de um amigo peregrino, que com eles compartilha quanto ele mesmo é. Não só o compreendem imediatamente, mas se ficam impressionados. Não percebem arrogância, prepotência. Não se sentem invadidos em seu espaço pessoal, individual; ao contrário, querem que ele fique ali. Com eles.

O Papa Francisco continua o caminho do Bv. João Paulo II e de Bento XVI.A experiência do Rio tem todos os ingredientes da vida e da missão evangélica: chamado de Deus (contemplação, isto é, estar com Jesus), emissão (mandado missionário). Os jovens que participam da experiência da JMJ (e não só eles!), são desafiados a estar honestamente abertos ao chamado que Deus faz a cada um/a deles/as, ao seu projeto de vida. Disto depende o seu presente, como também o seu futuro: um projeto que se deve descobrir e amadurecer no silêncio da relação mística com Jesus Cristo. E deste caminho ou projeto não há por que ter pudores nem temores. Porque é o caminho do serviço e a proposta que Jesus lhes faz de um amor que se multiplica no compartilhamento.


É interessante, enfim, notar que nos discursos do Papa Francisco na JMJ do Rio, as palavras mais frequentes foram Igrejajovens, amorvidahoje, mundo. São um grupo de palavras que podem sintetizar a experiência da JMJ: a Igreja através dos jovens mostra ao mundo de hoje a verdadeira vida – o amor de Cristo!

segunda-feira, 15 de julho de 2013

A encíclica do Papa lida com 'olhos salesianos'

A encíclica escrita por Bento XVI e Papa Francisco





Lumen Fidei

A Fé, uma experiência relacional

(ANS – Roma)A poucos dias da sua publicação, o P. Fabio Attard, Conselheiro Geral para a PJ, oferece-nos uma breve leitura salesiana da Encíclica Lumen Fidei.
Desse documento já ouvimos falar. Agora que o temos em mãos, é importante não somente lê-lo mas estudá-lo. Para nós, salesianos, educadores de jovens, a encíclica parte de um ponto chave: a fé é uma experiência relacional.

Na apresentação dos personagens bíblicos, como Abraão e Moisés, João e Paulo, esta fé relacional é marcada pelo amor e pela fidelidade: um Deus confiável, um Deus fiel. É uma fé que torna protagonista não só Deus – a chamada é sua – mas torna também protagonista a pessoa do crente, que recebe o convite. Na escuta, marcada pela liberdade e enriquecida pela inteligência, o crente chega a ver, até ao ponto de deixar-se tocar por Deus no coração. Uma fé que não degenera em peso de se suportar, mas se traduz em dom por aquele bem pessoal e comum que não pode ser suportado por apenas princípios vagos, de livre interpretação. Uma Fé, enfim, que abre os horizontes do sentido, fazendo com que a experiência do ‘eu’ evite o individualismo, a fim de projetar-se àquele ‘nós’ que se torna comunidade, Igreja.
Para nós, salesianos, pastores e educadores, são muitos os motivos para estudar a encíclica.

Antes de tudo, a Lumen Fidei nos dá a oportunidade de ir ao fundamento da nossa fé, tanto do ponto de vista espiritual como do teologal. Não é um luxo se nós dedicamos um pouco de tempo a renovar aquela inteligência afetiva da nossa fé. Aos jovens, o ver-nos capazes de dar razão da nossa fé lhes faz muito bem.

A encíclica, além disso, afronta o tema de modo mui pedagógico. Apresenta-se com um estilo que faz dialogar a inteligência com o anseio pelo divino. É un documento que oferece uma metodologia do conhecimento da fé que não teme confrontar-se com as perguntas últimas que hoje marcam a cultura globalizada. No que se refere aos vários processos de educação à fé, atuantes nos vários contextos da presença salesiana, inclusive os multirreligiosos, o conteúdo é muito ligado àqueles dinamismos humanos da busca do bem. São dinamismos que nós, como Salesianos, procuramos inculcar e cultivar no coração dos nossos jovens de todos os continentes, raças e religiões. Estamos conscientes de que a sede do amor e a necessidade da fidelidade residem no coração dos jovens, tanto quanto a profunda alegria que eles apreciam.

O terceiro motivo, enfim, é que a encíclica traça uma pista muito interessante e rica de conteúdo para aquelas propostas formativas dos que desejam aprofundar a sua fé. Pensamos em tantos jovens animadores, educadores e educadoras que connosco compartilham a missão salesiana, pais e tantas outras pessoas que estão à busca de um espaço, de um caminho com que aprofundar a própria fé.

Entre as tantas frases mui profundas, termino com uma em especial que, a nós, educadores e educadoras, nos dá a coragem de continuar em nossa caminhada: “Os cristãos, em sua pobreza, lançam uma semente de tal forma fecunda que se torna uma grande árvore, capaz de abarrotar o mundo de frutos” (n. 37).

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Jovens missionários de Jesus

Queridos jovens (3ª parte da mensagem de Bento XVI para a Jornada Mundial da Juventude 2013):



IDE
Evangelizar significa levar aos outros a Boa Nova da salvação, e esta Boa Nova é uma pessoa: Jesus Cristo. Quando O encontro, quando descubro até que ponto sou amado por Deus e salvo por Ele, nasce em mim não apenas o desejo, mas a necessidade de fazê-lo conhecido pelos demais .
 Quanto mais conhecemos a Cristo, tanto mais queremos anunciá-lo. Quanto mais falamos com Ele, tanto mais queremos falar d’Ele. Quanto mais somos conquistados por Ele, tanto mais desejamos levar outras pessoas para Ele.
 O Espírito de amor é a alma da missão: Ele nos impele a sair de nós mesmos para «ir» e evangelizar. Queridos jovens, deixai-vos conduzir pela força do amor de Deus, deixai que este amor vença a tendência de fechar-se no próprio mundo, nos próprios problemas, nos próprios hábitos; tende a coragem de «sair» de vós mesmos para «ir» ao encontro dos outros e guiá-los ao encontro de Deus.



ALCANÇAI TODOS OS POVOS
Queridos amigos, estendei o olhar e vede ao vosso redor: tantos jovens perderam o sentido da sua existência. Ide! Cristo precisa de também de vós. Deixai-vos envolver pelo seu amor, sede instrumentos desse amor imenso, para que alcance a todos, especialmente aos «afastados».
 Alguns encontram-se geograficamente distantes, enquanto outros estão longe porque a sua cultura não dá espaço para Deus; alguns ainda não acolheram o Evangelho pessoalmente, enquanto outros, apesar de o terem recebido, vivem como se Deus não existisse.
A todos abramos a porta do nosso coração; procuremos entrar em diálogo com simplicidade e respeito: este diálogo, se vivido com uma amizade verdadeira, dará seus frutos.
 Os «povos», aos quais somos enviados, não são apenas os outros Países do mundo, mas também os diversos âmbitos de vida: as famílias, os bairros, os ambientes de estudo ou de trabalho, os grupos de amigos e os locais de lazer. O jubiloso anúncio do Evangelho se destina a todos os âmbitos da nossa vida, sem excepção.



terça-feira, 2 de julho de 2013

A favor da vida humana e da família

Apresentamos alguns textos (números 14, 20-23) da carta dos Bispos de Moçambique “SALVAGUARDAR A VIDA HUMANA” relativos ao grave tema do Aborto, acompanhados de alguns comentários desta redação do BS. É a nossa aportação para a construção da família e a protecção da vida humana. 



Afirmam os Bispos de Moçambique na sua carta que  aos «que alegam que o aborto provocado é um direito da mulher e sua legalização levaria a diminuição drástica da mortalidade materna e a promoção dos direitos da mulher», os Bispos contrapõem consequências reais e dramáticas para a mulher e que na maioria das vezes não se dizem:
«A sua liberalização ou legalização por um lado vulgariza e coisifica a própria mulher; por outro lado corrompe a juventude e banaliza o sagrado poder da procriação, arrogando ao que devia ser pai ou mãe o direito de se tornar assassino do fruto das suas entranhas»
«Não são poucos, comprovadamente, sobre a mulher os traumas resultantes da prática do aborto provocado e até sobre o casal...» (nº 20)


Os Bispos nos lembram que a despenalização do aborto também tem a suas consequências negativas sobre a vida da sociedade, porque ao aprovar o aborto estamos aprovando «o desprezo pela vida»,  que  «bem depressa acabaria por fomentar a corrupção do amor» (nº 21).
É bem notório como a prática do aborto nas camadas jovens da sociedade tem vindo a vulgarizar, além de outras causas, as relações sexuais entre homem e mulher, passando a ser elas, em muitos casos, simples brincadeiras ou degenerando nos abusos sexuais, tão frequentes no nosso meio.


Sem dúvida, a mulher, jovem ou adulta, que está tentada de realizar um aborto ou é obrigada a fazê-lo, deve ser ajudada mais do que criticada.
Como ajudar à mulher para que desista do aborto?
«Nós os Bispos e membros da Igreja Católica, achamos que a luta contra este drama social deve empenhar todos e passa por
- um planeamento equilibrado da fecundidade,
- um apoio decisivo às mulheres para quem a maternidade é difícil,
- pela  dissuasão de todos os que intervêm lateralmente no processo, frequentemente com meros fins lucrativos,
- a solução dos casos difíceis terá de ser encarada política, social e moralmente e com o apoio de todos, particularmente das famílias,

- um tratamento psicossocial que as ajude a enfrentar adequadamente os problemas duma gravidez indesejada».

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Unidos em Eucaristia a toda a Igreja no Ano da Fé

 (ANS – Cidade do Vaticano) No 28 de maio, na Sala de Imprensa da Santa Sé, foi oficialmente apresentado um dos grandes encontros programados para o Ano da Fé, o evento da Solene Adoração Eucarística Mundial Contemporaneamente, que se fará no próximo dia 2 de junho em todas as Dioceses do mundo. A primeira nessa modalidade na História da Igreja.

O evento terá como centro espiritual a Basílica de São Pedro, em Roma, e se abrirá quando o Papa Francisco, às 17h00 locais, der início à hora de Adoração Eucarística. Roma será assim o fulcro de uma rede mundial interligada por milhares de nós: das Ilhas Cook à Islândia, da Floresta Amazônica à ilha de Taiwan… (Essas algumas das localidades reportadas na coletiva de imprensa de ontem.)

Para testemunhar o sentido de profunda unidade que caracteriza este evento – a realizar-se pela primeira vez na história da Igreja – foi escolhido como lema a expressão “Um só Senhor, uma só Fé”.

“Obtivemos uma adesão maciça a esta iniciativa, que se estenderá para além das catedrais e envolverá inteiras conferências episcopais, paróquias, congregações religiosas, especialmente mosteiros de clausura, e associações. Difícil dizer o número exato, mas são certamente milhares e milhares as adesões. Este momento atesta a profunda piedade que há na Igreja pela Eucaristia, cujo mistério representa a Fonte e o Ápice de toda a sua Vida” – explicou Dom Rino Fisichella, Presidente do Pontifício Conselho para a Nova Evangelização.

O Papa Francisco fez chegar as intenções que ele deseja estejam presentes nessa hora de oração:


  1. Pela Igreja em todo o mundo e hoje como sinal de unidade, recolhida na adoração da SS. Eucaristia. O Senhor a torne cada vez mais obediente à escuta da sua Palavra para que se apresente ao mundo cada vez “mais bela, sem mancha nem ruga; mas santa e imaculada” (Ef 5,28). Através do seu fiel anúncio, possa a Palavra salvadora ressoar ainda como portadora de misericórdia e provocar um renovado empenho no amor, oferecendo um sentido pleno à dor e ao sofrimento, e restituindo alegria e serenidade.
  2. Para quantos nas diferentes partes do mundo vivem o sofrimento de novas escravidões e são vítimas das guerras, do tráfico de pessoas, do narcotráfico e do trabalho “escravo”; para as crianças e para as mulheres que sofrem todo tipo de violência. Possa o seu silencioso grito de ajuda achar vigilante a Igreja, para que mantendo o olhar fixo em Cristo Crucificado não se esqueça de tantos irmãos e irmãs esquecidos à mercê da violência. Para todos os aqueles, além disso, que se encontram na precariedade econômica, sobretudo os desempregados, os idosos, os imigrados, os desabrigados, os detentos, e quantos experimentam a marginalização. A oração da Igreja e a sua ativa obra de vizinhança lhes seja de conforto e apoio na esperança, de fortaleza e audácia na defesa da dignidade da Pessoa humana.

sábado, 23 de março de 2013

O Papa recebe ao Reitor Mor


(ANS – Roma) – Na tarde de ontem, 21 de março, o Reitor-Mor, P. Pascual Chávez, e o seu Vigário, P. Adriano Bregolin, foram recebidos pelo Papa Francisco, no Vaticano, num encontro marcado por grande familiaridade. O Papa recebeu com espontaneidade a carta e os brindes do P. Chávez e P. Bregolin, mostrando-se disponível a visitar Turim em 2015.

“Foi um encontro breve, de 15 minutos, mas de grande intensidade, em que entregamos ao Santo Padre a Carta que lhe havia escrito por ocasião do início do seu Pontificado e a Estátua de Nossa Sra. Auxiliadora, que logo beijou – referiu o Reitor-Mor.
 
“Tudo quanto vimos e sentimos desde a sua primeira apresentação na Praça de São Pedro, na noite inesquecível da sua eleição, voltamos a reviver e a experimentar pessoalmente ontem de tarde: a sua acolhedora simpatia, a grande simplicidade, a cordialidade, a capacidade de escuta e de relacionamento. Reconheceu-me; e o abraço com que me recebeu fez-me sentir a sua grande paternidade”.


A humanidade do Papa se mostrou igualmente na atenção especial pela pessoa do P. Chávez: “Pediu-me notícias da minha saúde, porque soubera que não havia passado muito bem. Perguntou-me outrossim pelo termo do meu mandato como Reitor-Mor. Disse-lhe que, graças a Deus, havia de tal modo recuperado a saúde que pudera levar adiante o meu serviço; e que dentro de um ano haveria de terminar o meu encargo de Superior”.
No decorrer da conversa não faltaram referências à vizinhança do Papa Francisco com a espiritualidade e a obra salesiana: “Juntos – retoma o P. Chávez – relembramos alguns acontecimentos: como quando em Aparecida pedi que a beatificação de Zeferino Namuncurá não se fizesse em Buenos Aires, mas em Chimpay, motivando o pedido com a explicação de que ‘na Patagônia os Salesianos fizeram tudo’; o seu passado como aluno do Colégio Salesiano de Ramos Mejía; a sua devoção a Nossa Sra. Auxiliadora, que ele exprimia indo ao seu Santuário, em Almagro, todo dia 24 do mês, para celebrar a Eucaristia; ele mesmo recordou que exatamente naquele santuário fora batizado, sempre por um salesiano, P. Enrico Pozzoli; e falamos também da sua afiliação ao Clube de Futebol São Lourenço, de que ainda conserva a sua primeira carteirinha esportiva”.

O Reitor-Mor e o P. Bregolin fizeram também alguns convites ao Papa Francisco, que ele acolheu com extrema disponibilidade: “ao apresentar-lhe o Diretor da Comunidade no Vaticano, P. Sergio Pellini, convidamo-Lo a visitar a ‘Tipografia’ e a comunidade, e disse que o teria feito. Renovei-lhe a seguir o convite de ir a Turim, no dia 24 de maio de 2015, para a Festa de Maria Auxiliadora, por ocasião do Bicentenário de Nascimento de Dom Bosco. A sua resposta deixou espaço à esperança: «E por que não?». Enfim, o P. Adriano Bregolin pediu-lhe de conservar a estátua de Maria Auxiliadora no seu estúdio como Auxiliadora e Mãe da Igreja; ao que repetiu: «O farei!»”.
O Reitor-Mor e seu Vigário a seguir se despediram agradecendo pela oportunidade concedida de saudá-lo pessoalmente e de renovar-lhe a oração e a proximidade de toda a Família Salesiana, especialmente da Congregação.

sábado, 16 de março de 2013

Papa Francisco, os coadjutores e o Beato Zatti, sdb


(ANS – Roma) – O P. Juan Edmundo Vecchi, VIII Sucessor de Dom Bosco, na Carta “Beatificação do coadjutor Artêmides Zatti: uma novidade empolgante” acolheu um testemunho do P. Jorge Mario Bergoglio SJ, hoje Papa Francisco, que pôde conhecer a intercessão do Beato. Repropomos a passagem da Carta do P. Vecchi (ACG 376).

Não será inútil ouvir de alguém que experimentou a eficaz intercessão de Artêmides Zatti exactamente a respeito da vocação do consagrado leigo, e teve a delicada atenção de nos referir a sua experiência. Trata-se de Sua Emcia. Dom Jorge Mário Cardeal Bergoglio, Arcebispo de Buenos Aires e Provincial dos Jesuítas aos tempos em que nos prestou o seguinte testemunho.
Transcrevo o texto da carta, enviada ao P. Caetano Bruno SDB e datada de
Buenos Aires, 18 de maio de 1986.

«Caríssimo P. Bruno: Pax Christi! Em sua carta de 24 de fevereiro, o senhor me pedia que tentasse escrever alguma coisa a respeito da sua experiência tida com o Sr. Zatti (do qual me tornei grande amigo), relativamente às vocações de Irmãos Coadjutores. […]


Estávamos com mui grande penúria de Confrades Coadjutores. Tomo como referência o ano de 1976, ano em que conheci a vida do Sr. Zatti. Nesse ano, o Irmão mais jovem tinha 35 anos, era enfermeiro, e morreria quatro anos mais tarde, vítima de um tumor cerebral. O que o seguia, em idade, tinha 46 anos; e o que vinha depois desse, 50. Os outros, todos idosos (continuando a trabalhar apesar dos mais de 80 anos). Este “quadro demográfico” dos irmãos Coadjutores na circunscrição argentina induzia muitos a pensar que se tratava de uma situação irreversível e que não apareceriam outras vocações. Alguns, até, se interrogavam sobre a “atualidade” da vocação do Confrade Coadjutor na Companhia, porque – levando em consideração os fatos – parecia que se haveriam de extinguir. Além disso, faziam-se esforços em vários lugares para delinear uma “imagem nova” do Irmão Coadjutor, para ver se – por esse caminho – se ofereceria um apelo mais forte sobre os jovens que quisessem seguir esse ideal.

Por outro lado, o Padre Geral, P. Pedro Arrupe SJ, insistia com força sobre a necessidade da vocação do Irmão Coadjutor para o inteiro corpo da Companhia. Chegou a dizer que a Companhia não seria a Companhia, sem os Coadjutores. Os esforços feitos pelo P. Arrupe nessa área foram ingentes. A crise era não era apenas de alguma Província, mas de toda a Companhia (relativamente às vocações de Coadjutores).

Em 1976, creio que pelo mês de setembro, aproximadamente, durante uma visita canônica aos missionários jesuítas do norte argentino, detive-me alguns dias no Arcebispado de Salta. Ali, entre uma conversa e outra de fim de refeição, Dom Pérez me racontou a vida do Sr. Zatti. Deu-me até o livro de sua vida. Chamou-me a atenção a sua figura tão completa de Coadjutor. Naquele momento senti que devia pedir a Deus, por intercessão daquele grande Coadjutor, que nos mandasse vocações de Coadjutores. Fiz novenas e pedi aos noviços que a fizessem. […]

Em Salta senti em várias ocasiões a inspiração de recomendar ao Senhor e à Senhora do Milagre, o aumento de vocações da Província (isto em geral, e não especificadamente de Coadjutores, coisa que fiz com o Sr. Zatti). Além disso fiz uma promessa: que os noviços iriam em peregrinação na festa do Senhor do Milagre, se alcançássemos o número de 35 noviços (e isto se realizou em setembro de 1979).

Volto ao pedido de vocações de Coadjutores. Em julho de 1977 entrou o primeiro Coadjutor jovem (atualmente com 32 anos). No dia 29 de outubro daquele mesmo ano entrou o segundo (atualmente com 33)».

A carta prossegue, apresentando ano por ano o elenco de outros 16 coadjutores que entraram de 1978 a 1986. E continua:

«Desde que começamos as orações ao Sr. Zatti, entraram 18 Irmãos jovens, que perseveram, e outros cinco que deixaram o noviciado ou o juniorato. Ao todo, 23 vocações.

Os noviços, os estudantes e os Coadjutores jovens fizeram várias vezes a Novena em honra do Sr. Zatti, pedindo vocações de Coadjutores. Eu mesmo a fiz. Estou convencido da sua intercessão para esse problema, porque, considerando o número, é um caso raro na Companhia. Em agradecimento, na 2ª e 3ª edição do Devocionário do Sagrado Coração, pusemos a Novena para pedir a Canonização do Sr. Zatti.

Um dado interessante é a qualidade dos que entraram e que perseveram. São jovens que querem ser Irmãos Coadjutores como os queria Santo Inácio, sem ilusões... Para nós a vocação do Confrade Coadjutor é muito importante. O P. Arrupe dizia que a Companhia, sem eles, não seria a Companhia. Eles têm um carisma especial que se alimenta na oração e no trabalho. E fazem bem a todo o corpo da Companhia. […] São piedosos, alegres, trabalhadores, saudáveis. Muito viris, são conscientes da vocação a que foram chamados. Sentem especial responsabilidade de rezar pelos jovens Estudantes jesuítas que se preparam ao sacerdócio. Neles não se vêem “complexos de inferioridade” pelo fato de não serem sacerdotes; nem lhes passa pela cabeça aspirar ao diaconato…, etc.; sabem qual seja a sua vocação: e assim a querem. Isto é salutar. Faz bem.

Esta foi, em linhas gerais, a história da minha relação com o Sr. Zatti a respeito do problema das vocações de Irmãos Coadjutores para a Companhia. Repito que estou convencido da sua intercessão, porque sei quanto temos rezado pondo-o como nosso advogado.
Nada mais por hoje. Seu afeiçoadíssimo em Nosso Senhor e em Sua Mãe Santíssima,
Jorge Mario Bergoglio SJ »

Um esplêndido estímulo também para nós a fim de interpormos a intercessão do nosso Artêmides Zatti em favor do aumento de boas e santas vocações de Salesianos Irmãos.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Papa Francisco e Maria Auxiliadora


 O Papa Francisco, o mesmo que…
 (ANS – Buenos Aires) – O P. Fabián García, ex-Inspetor de Buenos Aires (2005-2010), pôde conhecer pessoalmente o Cardeal Bergoglio. Mandou a ANS algumas lembranças pessoais que revelam a fisionomia e o coração do novo Pontífice: um coração profundamente ligado a N. Sra. Auxiliadora. 


Minutos depois que o Papa Francisco nos presenteou com as suas primeiras palavras e a primeira bênção, também começaram a surgir as primeiras lembranças...
O Papa Francisco é o mesmo Cardeal Bergoglio que quando Arcebispo de Buenos Aires se o chamasses na Cúria para marcar alguma audiência, fazia com que lhe passassem diretamente a ligação e não te dizia quando ele podia receber-te, mas sim: “Quando poderias vir?”.
É o mesmo que todas as vezes que terminava qualquer tipo de encontro, formal ou informal que fosse, sempre dizia: “Reza por mim!”.
O mesmo que, no fim de uma Festa de Padroeiro por ele presidida numa nossa Paróquia, tendo-o eu, que voltava de carro para Casa inspetorial, tendo-o encontrado numa parada de ônibus – à proposta de uma carona, respondeu: “Obrigado, eu vou sempre de ônibus ou de metrô”.
O mesmo que vivia muito austeramente na Cúria, sem carro, sem protocolos, com muita simplicidade.
O mesmo que, enquanto eu acompanhava um dos nossos superiores em visita ao centro histórico de Buenos Aires, encontramos a caminhar pela rua, vestindo mui simplesmente roupa escura, em mangas de camisa, e que, à nossa saudação, respondeu: Vim substituir o vigário que está doente”.
O mesmo que no prólogo de um dos seus livros (meditações para religiosos), que enfeixa algumas reflexões de quando era Provincial dos Jesuítas na Argentina, escreveu: “E tratando-se de meditações religiosas, a principal colaboração surgiu do exemplo de tantos dos nossos irmãos. .... Exerceu uma intensa influência [na minha vida]; e quero citar aqui o exemplo de serviço eclesial e de consagração religiosa do P. Enrico Pozzoli SDB...”.
O mesmo que exprimia a sua simpatia pelo time de futebol “São Lourenço de Almagro”, fundado pelo salesiano P. Lourenço Massa. O mesmo que com igual simplicidade sabia dar-te um conselho, ajudar-te numa situação de governo, contar-te uma anedota e fazer-te rir. O mesmo que queria sempre vir presidir a festa de N. Sra. Auxiliadora; que ama Dom Bosco; e que é muito devoto do Irmão Coadjutor salesiano Bv. Artêmides Zatti.
O mesmo que, sendo Provincial dos Jesuítas mandava fazer Novenas ao então SdeD Sr. Artêmides Zatti, pedindo-lhe interceder pelo aumento das vocações dos Coadjutores jesuítas; e muitos foram a seguir os frutos vocacionais.
O mesmo que celebrou com grande alegria a beatificação de Zeferino Namuncurá, presidindo a Procissão, a Santa Missa e outras celebrações.
Mas dentre todas as lembranças, a mais forte, a mais significativa, a mais indelével: um homem de fé, que todos os dias 24 de cada mês, muito cedinho, antes mesmo que se abrissem as portas, vinha à Basílica de N. Sra. Auxiliadora, no bairro de Almagro, celebrava a Missa e se ficava por uma boa hora em oração diante da imagem da Santa Mãe de Deus, imagem benzida pelo mesmo Dom Bosco.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Bem-vindo Papa Francisco!

No dia de ontem, todos vivemos em comunhão com toda a gente que estava na praça de São Pedro esperando a aparição do novo Sucessor de Pedro: Sua Santidade Francisco.
Ontem foi um dia de forte experiência eclesial e de catolicismo: tanta gente de tantas partes do mundo ao redor de Pedro.
Como membros da Família Salesiana acolhemos este novo dom que Deus da à sua Igreja na pessoa do Papa Francisco. A sua primeira aparição ensinou-nos o seu estilo: homem de oração (de facto, pôs a rezar em total silêncio tantos milhares de pessoas); homem de comunhão (fez-nos rezar pelo Bento XVI); homem de humildade evangélica (pediu a nossa oração por ele e inclinou-se nesse momento).

Eis as sua primeira mensagem:

"Queridos irmãos e irmãs, boa tarde, como vocês sabem os cardeais no conclave têm que encontrar um bispo para Roma, e parece que os irmãos cardeais o procuraram quase no fim do mundo, mas estamos aqui. Agradeço-lhes a acolhida à comunidade diocesana de Roma como seu bispo.
Em primeiro lugar queria fazer uma oração pelo nosso bispo emérito Bento XVI, rezemos todos juntos para que o Senhor o abençoe e a Virgem o proteja.
Desejo a todos que este caminho de Igreja que começamos hoje e no qual me ajudará o cardeal vigário aqui presente, seja fecundo para a evangelização (Aplausos).
E agora eu gostaria de dar a bênção - disse o Santo Padre – ainda que antes, peço-lhes um favor: antes de que o bispo abençoe o povo, peço-lhes que rezem ao Senhor para que me abençoe. Porque é a oração do povo pedindo a benção para o seu bispo. Façamos em silêncio esta oração vossa por mim”.

Agora vos darei a benção, a vós e a todos os homens e mulheres de boa vontade.

Irmãos e irmãs, vos deixo, muito obrigado pela acolhida, rezem por mim e até logo, nos vemos em breve. Amanhã quero rezar à Nossa Senhora, para que proteja toda Roma. Boa noite e bom descanso".




terça-feira, 5 de março de 2013

Um cardeal salesiano no Cónclave que escolherá o Papa

Itália  –  Entrevista do Cardeal Rodríguez Maradiaga, salesiano

(ANS – Roma) – O Cardeal salesiano Oscar Andrés Rodríguez Maradiaga, Arcebispo de Tegucigalpa, Honduras, está, já faz alguns dias, em Roma, para participar das Congregações gerais cardinalícias e sucessivamente do Conclave que elegerá o Sucessor de Bento XVI. Sábado passado, 2 de março, foi entrevistado por Enzo Romeo, responsável pela Redação ‘Esteri’, do TG2, telejornal da Rede 2, da RAI. Reportamos alguns itens da entrevista.

Eminência, pesará, segundo o seu modo de ver, sobre o Conclave a presença, pela primeira vez, de um Papa emérito?
Certamente é uma ocasião inédita na história; digo entretanto que coisa relevante será sobretudo saber que Bento XVI reza por nós.

Para os Senhores Cardeais, que vêm de longe, há a exigência de saber algo mais sobre o que ocorreu na Igreja no último ano, sobre o caso Vatileaks, por exemplo?
Penso que isto seria necessário, porque se somos um Colégio, se somos coirmãos, devemos saber a respeito do que, pela distância e o nosso trabalho particular, não dispomos, isto é: de suficientes informações.

Está maduro, segundo V. Emcia., o tempo para um papa não europeu?
Não depende tanto de ser ou não ser europeu: depende dos grandes desafios que hoje deverá enfrentar o novo Papa. Mais que numa nacionalidade, devemos pensar na pessoa mais adequada para responder a tais desafios.
No precedente Conclave V. Emcia. recebeu votos. O que se experimenta quando o próprio nome ressoa na Sistina: satisfação, medo, perturbação?
Medo certamente, porque o de pontífice não é um cargo que um ser humano possa desejar. Mas ao mesmo tempo quando Deus faz um chamado dá também a Graça de o assumir.

V. Emcia. é músico e o Papa no último encontro com os Purpurados disse que o Colégio cardinalício deveria ser uma como orquestra onde as divisões se possam fundir numa única harmonia? Compartilha da ideia?
Estou plenamente de acordo, doutra forma a Igreja não seria uma sinfonia, mas uma cacofonia.