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terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

O Reitor Mor escreve À FS sobre Papa


(ANS – Roma) – Logo após tomar conhecimento de que o Papa Bento XVI anunciara sua renúncia ao ministério de Bispo de Roma e de Sucessor de São Pedro, o Reitor-Mor dos Salesianos desejou enviar uma mensagem a toda a Família Salesiana.

Caríssimos Irmãos, Irmãs, Membros todos da Família Salesiana, Amigos de Dom Bosco:

Saúdo-vos com o coração de Dom Bosco, desde o México, aonde vim para a celebrar o Jubileu de Ouro da Inspetoria salesiana de Guadalajara, minha Inspetoria de origem.
Ainda que profundamente surpresos pela notícia apenas recebida acerca da decisão do Santo Padre, Bento XVI, de apresentar a sua renúncia de continuar na guia da ‘Barca de Pedro’ e na confirmação dos seus irmãos na fé através do anúncio do Evangelho, o seu testemunho de vida, o seu sofrimento e a oração – ficamos edificados por este gesto exemplar e profético.

No apresentar a sua demissão, motivada por razões de idade e cansaço, consequência da sua solicitude em acompanhar a Igreja num período caracterizado por profundas e rapidíssimas mudanças sociais, que têm a ver com a fé e a vida cristã, e que estão a pedir grande energia física e espiritual, o Santo Padre confessa ter-se posto em atitude de discernimento perante Deus.

A sua decisão é portanto fruto de oração e um sinal exemplar de obediência a Deus! Uma tal atitude só pode despertar em nós a maior admiração e estima. Trata-se, mais uma vez de um traço espiritual tipicamente seu: a humildade, que o torna livre perante Deus e os homens, e mostra claramente o seu sentido de responsabilidade.

Enquanto, como teria feito Dom Bosco, exprimimos ao Santo Padre toda a nossa gratidão pela generosidade com que serviu a Igreja e fez sentir a sua paternidade relativamente à nossa Família, o acompanhamos nesta fase da sua vida com o nosso grande afecto e a nossa oração.

Desde agora rezemos pela Igreja, invocando o Espírito Santo, a fim de que seja Ele a guiar este momento de encerramento de um pontificado, e de convocação e celebração do Conclave.

Confiamos a Maria Imaculada Auxiliadora, nesta memória de Nossa Sra. de Lurdes, o Santo Padre e toda a Igreja. Ela continuará a manifestar-se, como sempre ao longo da história, Mãe e Mestra.
Em comunhão de corações e orações,
P. Pascual Chávez Villanueva SDB
Reitor-Mor

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Jovens missionários dos jovens!


Mensagem do Reitor Mor para o Boletim Salesiano - Fevereiro 2013 (3ª parte)
  Jovens construtores de esperança e de alegria


Em 1847, imprimi um livro de formação cristã, O Jovem Instruído. Escrevera-o roubando muitas horas ao sono. As primeiras palavras que os meus jovens liam eram estas: “O primeiro e principal engano com que o demônio costuma afastar os jovens da virtude é fazê-los pensar que servir a nosso Senhor consista numa vida melancólica e distante de qualquer divertimento e prazer. Não é assim, caros jovens. Eu quero ensinar-vos um método de vida cristã, que possa ao mesmo tempo fazer-vos alegres e felizes, indicando-vos quais são os verdadeiros divertimentos e os verdadeiros prazeres... Esta é, justamente, a finalidade do pequeno livro, servir ao Senhor e viver alegres”.´

Como vedes, para mim a alegria assumia um profundo significado religioso. No meu estilo educativo havia uma combinação equilibrada de sacro e de profano, de natureza e de graça. Os resultados não tardavam a aparecer, tanto que em algumas notas autobiográficas que fui quase obrigado a escrever, podia afirmar: “Contentes com essa mistura de devoções, brinquedos e passeios, afeiçoavam-se tanto a mim, que não só obedeciam fielmente às minhas ordens, mas desejavam vivamente que lhes desse alguma incumbência”.

Não me satisfazia que os jovens fossem alegres; queria que eles difundissem ao redor deles esse clima de festa, de entusiasmo, de amor à vida. Queria-os construtores de esperança e de alegria. Missionários de outros jovens mediante o apostolado da alegria. Um apostolado contagiante».

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Jovens que vivem e transmitem a alegria


Mensagem do Reitor Mor para o Boletim Salesiano - Fevereiro 2013 (2ª parte)
 Viver e transmitir a alegria, uma forma de vida


Desde criança, o jogo e a alegria foram para mim uma forma séria de apostolado, do que estava intimamente convencido. Para mim, a alegria era um elemento inseparável do estudo, do trabalho e da piedade. Um jovem daqueles primeiros anos recordando os anos “heroicos” assim os descrevia: “Pensando como se comia e como se dormia, admiramo-nos agora de ter podido divertir-nos, sem, contudo sofrer e sem nos lamentarmos. Mas éramos felizes, vivíamos de afeto”.~

Viver e transmitir a alegria constituía uma forma de vida, uma opção consciente de pedagogia em ação. Para mim, o jovem era sempre um jovem, a sua exigência profunda era a alegria, a liberdade, a diversão. Sentia como natural que eu, padre para os jovens, lhes transmitisse a boa e alegre notícia contida no Evangelho. E não o poderia fazer carrancudo e com modos frios e bruscos. Os jovens precisavam entender que para mim a alegria era uma coisa tremendamente séria! Que o pátio era a minha biblioteca, a minha cátedra onde eu era ao mesmo tempo professor e aluno. Que a alegria é lei fundamental da juventude.

Eu valorizava o teatro, a música, o canto, e organizava nos mínimos detalhes as célebres excursões de outono.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Quero jovens bons e alegres!


Mensagem do Reitor Mor para o Boletim Salesiano - Fevereiro 2013 (1ª parte)

A alegria: o décimo primeiro mandamento!


«Sou conhecido no mundo todo como um santo que semeou muita alegria a mãos cheias. Ou melhor, como escre.veu alguém que me conhecia pessoalmente, fiz da alegria cristã “o décimo primeiro mandamento”. A experiência convenceu-me não ser possível um trabalho educativo sem este admirável impulso, este belo percurso a mais que é a alegria.

E para que os meus jovens estivessem intimamente persuadidos disso, eu acrescentava: “Se quereis que a vossa vida seja alegre e tranquila, deveis procurar viver na graça de Deus, pois o coração do jovem que vive no pecado é como o mar em agitação contínua”. Eis porque sempre recordava que “a alegria nasce da paz do coração”. E insistia: “eu não quero outra coisa dos jovens senão que sejam bons e sempre alegres”.

Há quem, às vezes, me apresente como o eterno saltimbanco dos Becchi e pense fazer-me um grande favor. Mas é uma imagem muito redutiva do meu ideal. Os jogos, as excursões, a banda de música, as representações teatrais, as festas eram um meio, não um fim. Eu tinha em mente o que escrevia abertamente aos meus jovens: “Um só é o meu desejo: ver-vos felizes no tempo e na eternidade”

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Jovem com os outros jovens


APRENDI A SER JOVEM E HOMEM (e 4)
Eu, Dom Bosco, te apresento os valores que respirei, que aprendi a viver e, em seguida, transmiti como herança aos meus salesianos. Com o passar dos anos, serão as bases da minha pedagogia.


O gosto de trabalhar em conjunto. Por muitos anos, fui protagonista absoluto entre os meus colegas: penso nas primeiras experiências como saltimbanco nos Becchi, naquelas esplêndidas tardes de domingo; penso na popularidade adquirida entre meus colegas de escola em Chieri, a ponto de numa página autobiográfica eu poder afirmar que "era venerado pelos meus colegas como capitão de um pequeno exército". Mas, depois, compreendi que o protagonismo era de todos. Surgiu, então, a Sociedade da Alegria, um grupo simpático de estudantes no qual todos atuavam em posição de paridade.  O Regulamento era composto por três brevíssimos artigos: estar sempre alegres, cumprir bem com os próprios deveres, evitar tudo que não fosse digno de um bom cristão. Mais tarde surgirão as Companhias, grupos juvenis, verdadeiros laboratórios de apostolado e santidade ao alcance de todos. Dizia que elas eram "coisa de jovens" para favorecer a iniciativa deles e dar espaço à sua criatividade natural.

O prazer de estar juntos. Eu queria que os educadores, jovens ou idosos que fossem, estivessem sempre entre os jovens, como "pais amorosos". Não por desconfiança em relação a eles, mas justamente para caminhar com eles, construir e participar com eles. Chegarei a dizer com íntima alegria: "Entre vocês, sinto-me bem. Minha vida é justamente estar com vocês".

(Pascual Chávez, mensagem de Janeiro para o BS)

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Saber escutar aos jovens


APRENDI A SER JOVEM E HOMEM (3)
Eu, Dom Bosco, te apresento os valores que respirei, que aprendi a viver e, em seguida, transmiti como herança aos meus salesianos. Com o passar dos anos, serão as bases da minha pedagogia.

"Raciocinemos!" Nossos velhos pronunciavam este verbo em piemontês; e quanta sabedoria eu descobria nessa palavra. Era usada para dialogar, explicar-se, chegar a uma decisão comum, tomada sem que alguém quisesse impor o próprio ponto de vista. 

Depois, farei do termo "razão" uma das colunas mestras do meu método educativo. A palavra "razão" será, para mim, sinônimo de diálogo, acolhida, confiança, compreensão; será transformada numa atitude de busca para que não haja rivalidade entre educadores e jovens, mas tão somente amizade e estima recíproca. 

Para mim, o jovem jamais será um sujeito passivo, um simples executor de ordens. Em meus contatos com os jovens, jamais farei de conta que estou escutando; eu os escutarei realmente, discutirei o ponto de vista deles, as suas razões.
(Pascual Chávez, mensagem de Janeiro para o BS)

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

A catequese de Mamãe Margarida:Deus te vê!


APRENDI A SER JOVEM E HOMEM (2)
Eu, Dom Bosco, te apresento os valores que respirei, que aprendi a viver e, em seguida, transmiti como herança aos meus salesianos. Com o passar dos anos, serão as bases da minha pedagogia.

O sentido de Deus. Minha mãe condensara o catecismo inteiro numa frase que repetia a cada instante: "Deus te vê!"
Eu, à escola de uma catequista completa como era minha mãe, cresci sob o olhar de Deus. Não um Deus-policial, frio e implacável que me 'pegava' em fragrante; mas um Deus bom e providente, que eu descobria no suceder-se das estações e aprendia a conhecer e agradecer no momento da colheita do trigo ou depois da vindima, um Deus grande, que admirava olhando para as estrelas à noite.
(Pascual Chávez, mensagem de Janeiro para o BS)

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Margarida, a mãe que educou um santo


APRENDI A SER JOVEM E HOMEM (1)
Eu, Dom Bosco, te apresento os valores que respirei, que aprendi a viver e, em seguida, transmiti como herança aos meus salesianos. Com o passar dos anos, serão as bases da minha pedagogia.

A presença de uma mãe. Mamãe Margarida tinha apenas 29 anos quando meu pai morreu, destruído em poucos dias por uma terrível pneumonia. Mulher enérgica e corajosa, não ficou a lamentar-se; arregaçou as mangas, e assumiu o seu duplo trabalho. Doce e decisiva, fez as vezes de pai e mãe. 
Muitos anos depois, feito padre para os jovens, poderei afirmar como fruto da experiência concreta: "A primeira felicidade de um jovem é saber que é amado". Por isso, com meus jovens sempre fui um verdadeiro pai, com gestos concretos de amor sereno, alegre e contagiante. Eu amava os meus jovens e dava-lhes provas concretas desse afeto, entregando-me completamente à causa deles. Não aprendi nos livros esse amor forte e viril; herdei-o de minha mãe e sou-lhe reconhecido por isso.

 O trabalho. Minha mãe era a primeira a dar-nos o exemplo. Eu sempre insistia: "Quem não se habitua ao trabalho na juventude, será sempre preguiçoso até a velhice". Na conversa familiar que tinha com meus jovens depois do jantar e das orações da noite (o célebre "boa-noite") eu insistia que "O paraíso não é feito para os preguiçosos".
(Pascual Chávez, mensagem de Janeiro para o BS)

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Conhecer Dom Bosco educador

A Madre Ivonne acolhe o Reitor Mor na Casa Geral das FMA

O P. Pascual apresentando a Estréia 2013

A assembleia das Fma e membros da FS
 (ANS – Roma) – Respeitando a tradição, o Reitor-Mor lançou oficialmente a Estreia 2013 indo visitar a Casa Geral das Filhas de Maria Auxiliadora no início da tarde de hoje, 31 de Dezembro. A tradição iniciada em 1849 pelo mesmo Dom Bosco prossegue com um tema dedicado ao conhecimento e aprofundamento da sua pedagogia, que é o segundo tema da caminhada trienal de preparação à celebração do bicentenário de seu nascimento (1815-2015).

Na solene simplicidade do clima de família, o P. Pascual Chávez reuniu-se no Auditorium da Casa Geral das FMA com a Madre Yvonne Reungoat, mais uma densa representação de FMA e alguns Membros da FS.

A eles apresentou, brevemente, o tema e a estrutura da Estreia 2013 expressa no já conhecido lema: “Como Dom Bosco educador, ofereçamos aos jovens o Evangelho da alegria mediante a pedagogia da bondade”.

O verdadeiro “presente” (de que advém a palavra ‘estreia’), entretanto, é o texto que o Reitor-Mor publica hoje e oferece a toda a Família Salesiana. São páginas que devem ser lidas, estudadas, aprofundadas, pessoalmente e nos vários organismos de animação de cada grupo, local e territorial.

A nossa abordagem, também agora, não é só intelectual. De um lado, é certamente necessário o estudo profundo da Pedagogia Salesiana a fim actualizá-la segundo a sensibilidade e as exigências do nosso tempo. Hoje, os contextos sociais, económicos, culturais, políticos, religiosos, nos quais estamos a viver a vocação e a realizar a missão salesiana, estão profundamente alterados. Por outro lado, para a fidelidade carismática ao nosso Pai, é igualmente necessário fazer nosso o conteúdo e o método da sua oferta educativa e pastoral. No contexto da sociedade de hoje, somos chamados a ser santos educadores como ele, entregando a nossa vida como ele, trabalhando com e pelos jovens”.


A par de algumas reflexões sobre os princípios consolidados do Sistema Preventivo (Razão, Religião, Bondade (ou 'Amorevolezza'), Bom cristão e honesto cidadão), o Reitor-Mor oferece grandes pontos de referência, e empenhos, à FS.

É um autêntico percurso de conhecimento e avaliação, com estímulos para uma formação e programação mais eficientes. Intenso é o acento – como sugere o versículo que acompanha o lema: «Alegrai-vos sempre no Senhor; repito: alegrai-vos» (Fl 4,4) – sobre o Evangelho da alegria, que deve ser entendido não como um “sentimento efêmero, mas como uma energia interior, que resiste também às dificuldades da vida”. “O Evangelho da alegria caracteriza toda a história de Dom Bosco e é a alma das suas múltiplas obras. Captou Dom Bosco o desejo de felicidade presente nos jovens e demonstrou a sua alegria de viver, com expressões quais alegria, pátio, festa; mas jamais deixou de indicar a Deus como fonte da verdadeira alegria” – escreve o Reitor-Mor em seu comento.

Para encerrar, o P. Chávez focaliza Mamãe Margarida, a Venerável Mãe de Dom Bosco: “Foi dela que Dom Bosco aprendeu aqueles valores e atitudes que praticou com os seus meninos e que, com o passar dos anos, deixou aos Salesianos, tornando-se a base da sua pedagogia”. Um modo simples e direto que lembra como a eficácia de uma boa pedagogia salesiana está intrinsecamente ligada ao educador que inevitavelmente, por assimilação vital, transmite os valores, em que acredita, a quem lhe está perto num continuado relacionamento e diálogo. Este aspecto é sublinhado pela remissão a um poema, indicado por um salesiano da Índia, e que o Reitor-Mor faz seu.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Os jovens, mestres de Dom Bosco e dos salesianos


O Reitor Mor escreve ao Boletim Salesiano – Novembro 2012 (1ª parte)

1- Os jovens não são apenas "destinatários", mas elemento dinâmico essencial para a Família Salesiana.

2- A história salesiana demonstra que o trabalho entre os jovens pobres e abandonados, destinatários privilegiados, atrai as bênçãos de Deus, é fonte de fecundidade carismática e religiosa, de fecundidade vocacional, de regeneração da fraternidade nas comunidades, é o segredo do frescor e do sucesso das obras.

3- Dom Bosco aprende dos jovens: alguns aspectos característicos do Sistema Preventivo são fruto da frequentação do seu mundo e da participação de vida, sentimentos, anseios…


4- A ação de educador não é um extenuante suscitar de atividades e intervenções práticas, mas um caminho espiritual: uma sucessão de experiências que revelam, aos poucos, o sentido profundo da vida e da pessoa. Ser educador é uma escola na qual se aprende mais do que se consiga ensinar. Desde que, naturalmente, se queira aceitá-lo. Será fácil descobrir que olhar para os jovens é melhor do que olhar para a televisão ou navegar pelo Google. É mais instrutivo.

5- A vida com os jovens pode ser de grande trabalheira, mas que profunda felicidade pode gerar uma jovem pessoa que amadurece entregando-se a nós com toda a confiança do mundo!

Algumas coisas que os jovens nos podem ensinar


O Reitor Mor escreve ao Boletim Salesiano – Novembro 2012 (2ª parte)

1- As crianças percebem as emoções com intensidade e sensibilidade maiores das nossas e as manifestam com absoluta espontaneidade. Isso provoca nos educadores um forte crescimento no sentido de responsabilidade e a necessidade de uma sempre maior capacidade de autocontrole

2- A cada momento da jornada, a mente de um educador é obrigada a desenvolver prontidão de espírito, inteligência do coração, inventiva. Todos os dias, a vida com os jovens coloca-nos diante de escolhas, desafios, problemas e dificuldades.

3-"Olha aqui!" As crianças desejam a presença do educador. Não um simples "estar ali": querem a atenção total, indivisa, sem julgamentos ou expectativas. Estar presente significa estar disponível: estou aqui, para ti. Uma atenção pura, que não invade e não dirige, mas está intensamente presente, e basta.

4- Dom Bosco dizia: "Deixai aos jovens plena liberdade de fazer as coisas que mais lhes agradam... E, como cada um faz com prazer o que sabe que pode fazer, eu me regulo por esse princípio, e todos os meus alunos agem, não só com as atividades, mas com o amor" (MB XVII, 75).

5- D. Bosco insistia: «Escutem-nos, deixem-nos falar muito». E, por primeiro, ele deu exemplo disso: «Não obstante suas muitas e importantes ocupações, estava sempre pronto para acolher no seu escritório, com um coração de pai, os jovens que lhe pediam uma conversa particular. Mais ainda, queria que o tratassem com grande familiaridade e jamais se lamentava da indiscrição com que, às vezes, era importunado por eles. Deixava a todos plena liberdade de fazer perguntas, expor dificuldades, defesas, desculpas... recebia-os com o mesmo respeito com que tratava as pessoas importantes. Convidava-os a se sentarem na poltrona, enquanto ele ficava à mesa, e ouvia-os com a maior atenção como se as coisas expostas por eles fossem todas muito importantes. Às vezes, levantava-se, ou caminhava com eles pelo escritório. Concluído o colóquio, acompanhava-os até o limiar, abria-lhes ele mesmo a porta, e despedia-se deles dizendo: – Sejamos sempre amigo! (MB VI, 438-439).

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Agradecimento em nome das Crianças


(ANS – Nova Iorque) “É uma honra colaborar convosco – esse o coração da mensagem que Meg Gardinier, Diretora do Dia Mundial de Oração e Ação pelas Crianças, enviou ao Reitor-Mor dos Salesianos, P. Pascual Chávez, por sua convicta adesão à iniciativa. É um agradecimento que, através do P. Chávez, se estende a toda a Congregação.

“Rogo aceiteis a minha afetuosa saudação, da parte do Secretariado do Dia Mundial de Oração e Ação pelas Crianças, com sede em New York – inicia a carta da Dra. Gardinier –. Gostaria de expressar o nosso mais sentido agradecimento e apreço por vossa gentil promoção do Dia Mundial de Oração e Ação pelas Crianças, através da vossa Congregação de alcance global e dedicada à Infância – os Salesianos de Dom Bosco”.

A Dra. Gardinier prossegue recordando a história do Dia Mundial, o empenho da Entidade promotora – Ongue “Arigatou International”, com sede em Hiroshima – e o percurso já feito por essa recente iniciativa, não deixando de sublinhar a estreita vizinhança entre a filosofia do Dia Mundial e o Carisma salesiano: “A nossa missão, de rezar e agir em favor das Crianças de todo o mundo, relembra intimamente os fundamentais princípios religiosos de Dom Bosco. É através da vital combinação de oração e de ação que se pode construir um mundo para as crianças, um mundo menos violento e mais justo”.

Ao agradecer ao P. Chávez pelo empenho a transferir a mensagem do Dia Mundial até às últimas realidade locais da Congregação salesiana, a Diretora Gardinier conclui expressando a própria admiração pelos Salesianos: “Rogo-vos ao mesmo tempo aceiteis a nossa gratidão e o respeito pelo empenho que V. Sria. e os Salesianos de Dom Bosco dedicais quotidianamente em todo o mundo por salvar e melhorar a vida de tantas pessoas, educando os jovens e valorizando a vida de suas famílias e comunidades”.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Palavras de despedida do Reitor Mor como presidente dos Superiores Religiosos


(Extracto de ANS – Roma) Realizou-se no dia 21 de novembro, os trabalhos da 80ª Assembleia Semestral da União dos Superiores Gerais (USG). No Salesianum, de Roma, cerca de 130 Superiores de Ordens e Congregações Religiosas confrontam-se sobre o tema “Na Fé evangelizamos”.  Nesta Assembleia foram eleitos o novo Presidente, Vice-Presidente e Membros do Conselho.

O P. Pascual Chávez, Reitor-Mor dos Salesianos e Presidente da USG, ao termo do seu segundo mandato (2006-2009 e 2009-2012), abriu a Assembleia indicando os laços entre a Assembleia USG e o Sínodo dos Bispos sobre a Nova Evangelização, que contou com a participação também de vários membros da USG: “O tema tem a ver com a nossa vocação de discípulos do Senhor Jesus, que nos chama a ‘estar com Ele’ quais amigos, a ‘pregar’ e a colaborar na construção do Reino de Deus”.

Adentrando o sub-tema da assembleia – crise econômica e suas implicações para a vida Consagrada – o P. Chávez confirmou como o atual contexto social e eclesial represente para a Igreja e para todos os religiosos um desafio. Perante o campo da missão, que já se estendeu a todo o mundo e que compreende até um novo continente – o continente digital – e, perante a “desertificação espiritual”, a Vida Consagrada pode repartir com novo elã: “No deserto há necessidade sobretudo de pessoas de fé, que, com sua própria vida, indicam o caminho pelo rumo da Terra Prometida, mantendo assim desperta a esperança” – disse o Presidente da USG, citando Bento XVI.

Sublinhando a necessidade do testemunho e da proposta da Fé, sem nunca a impor, o Presidente USG relembrou a experiência amadurecida pelos religiosos na área da evangelização: “A Vida Consagrada sempre se distinguiu por sua solicitude em favor da primeira evangelização; na ‘missio ad gentes’ da Igreja a sua contribuição foi e ainda é determinante. O mesmo empenho ela o demonstrou e continua a demonstrar pela evangelização ordinária (…) com suas variadas expressões em campos especializados”.

O P. Chávez concluiu indicando o objetivo que compete agora aos Superiores Gerais: “Assumir cabalmente o espírito e as grandes opções desse Sínodo sobre a Nova Evangelização para a transmissão da fé, contribuindo naturalmente com o específico da Vida Consagrada e com o que é próprio do carisma e missão de cada uma das Ordens, Congregações e Institutos Religiosos”.

sábado, 24 de novembro de 2012

O Reitor Mor escreve sobre a nova Beata Troncatti


ANS – Roma) – Por ocasião da beatificação da Ir. Maria Troncatti, o P. Pascual Chávez escreveu uma mensagem em que relembra sua figura e a herança deixada.

Aceito com muito prazer o convite de dirigir uma Mensagem por ocasião da Beatificação da Irmã Maria Troncatti, Filha de Maria Auxiliadora, beatificação que se dará em Macas, Equador, no dia 24 de novembro de 2012.
 
Trata-se de reconhecer, à luz da fé, o evento dessa mulher singular, consagrada, missionária e mãe para todos aqueles que tiveram a graça de se encontrar com ela. É sobretudo o testemunho de quem realmente viveu a paixão apostólica do “Da mihi animas, cetera tolle”, aceitando a exigente ascese do “Trabalho e temperança”, como condição indispensável para “produzir fruto”. Esta FMA na selva amazônica do Equador se fez “médica” para os corpos e para as almas: enquanto curava e socorria, evangelizava, anunciando e testemunhando a todos o amor infinito do Pai e a ternura materna de Nossa Sra. Auxiliadora. Com a sua Beatificação quer-se fazer viva memória de uma numerosa falange de generosos e heróicos Salesianos missionários e Filhas de Maria Auxiliadora, que na selva amazônica do Equador semearam, por entre lágrimas, suor e, com freqüência, com a própria vida, a semente do Evangelho.
 
A Beatificação da Irmã Troncatti é sinal privilegiado do amor de Deus por toda a Família Salesiana, pelo Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora especialmente. A santidade de Família honra a todos os grupos que se identificam na espiritualidade salesiana de Dom Bosco e de Madre Mazzarello. É estímulo a viver com paixão o carisma, e a transmiti-lo às jovens gerações num mundo não apenas cheio de desafios mas também rico de sinais de esperança.


A vida de Maria Troncatti foi realmente consagrada na verdade, operando a partir de Deus, em comunhão com Jesus Cristo, no amor do Espírito Santo. Uniu-se e conformou-se a Jesus Cristo, renunciando a si mesma e vivendo com fidelidade os empenhos assumidos com a sua Profissão religiosa. Graças à sua fé e ao sacrifício constante de si, refulge pela sua extraordinária capacidade de saber conjugar de modo admirável o anúncio do Evangelho e a promoção humana, obtendo frutos de conversão espiritual e de libertação humana e social. Ela pertence ao denso grupo de pessoas, de que brotaram e jorram viçosos rios de vida, repleta como estava do gáudio da fé, vivida na radicalidade da obediência e na força do amor.
É significativo e comovente que a Igreja reconheça de modo oficial, exatamente no ano dedicado à Fé, a santidade dessa Filha sua, tornando-a sinal de esperança para este nosso mundo, pelo qual perpassa e cresce um difuso analfabetismo religioso. Para ela toda a ocasião era oportuna para indicar a salvação em nome de Jesus e de Maria: seja cozinhando, seja assistindo aos doentes, seja medicando, sempre a palavra evangélica era por ela semeada no íntimo das pessoas, que baixava como remédio que cura as feridas e as chagas dos corações e das almas. A sua beatificação nos ajuda a recordar que as missões possuem o seu centro no Anúncio da salvação no nome de Jesus Cristo.

Desejo enfim recordar que este evento de graça sobrevém na caminhada de preparação ao Bicentenário de nascimento do nosso Pai e Fundador Dom Bosco. A nova Bem-Aventurada encarnou de modo singular o lema salesiano “Da mihi animas, cetera tolle”, através de um zelo e de uma dedicação incondicional pelas almas, até ao dom da sua própria vida. A Ir. Maria preocupava-se pelo homem todo, por suas necessidades físicas e espirituais. Com o seu exemplo e a sua Mensagem relembra a todos os Membros da Família Salesiana que não se preocupem apenas com o corpo mas também com as necessidades da alma do homem. Quantas almas salvas! Quantas crianças arrancadas à morte segura! Quantas meninas e mulheres defendidas na sua dignidade! Quantas famílias formadas e conservadas na verdade do amor conjugal e familiar! Quantos incêndios de ódio e de vingança extintos pela força da paciência e pela doação da própria vida! E tudo isso vivido com grande zelo apostólico e missionário, uma disponibilidade contínua, uma dedicação renovada cada dia aos pés do Altar, uma entrega até ao sacrifício supremo da vida pela reconciliação e a paz.

Que a Bv. Maria Troncatti nos obtenha a graça de corresponder generosamente à vocação cristã. E desperte em nossas famílias e comunidades cristãs e religiosas, o dom da Fé e o empenho por anunciar o Evangelho sobretudo aos Jovens e aos Pobres.
P. Pascual Chávez Villanueva
Reitor-Mor

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Mensagem do Reitor Mor para o Dia Internacional da Infância

(ANS – Roma) Por ocasião do Dia Mundial de Oração e de Ação pelas Crianças e pelos Jovens do mundo, o Reitor-Mor convida todas as comunidades salesianas do mundo a aumentar seu próprio empenho pela promoção e tutela do direito ao Registro de Nascimento de todas as crianças e jovens.

Fotos do artigo -RMG – MENSAGEM DO REITOR-MOR PARA O DIA INTERNACIONAL DA INFÂNCIACaríssimos irmãos, irmãs, salesianos, salesianas,

membros da Família Salesiana, jovens empenhados no voluntariado,o próximo dia 20 de novembro, em todo o mundo, celebra-se o Dia Internacional da Infância, aniversário que é da adoção da Convenção da ONU sobre os Direitos da Infância e da Adolescência (CRC) de 1989.


Desde 2009, o dia 20 de novembro é também ocasião para celebrar o Dia Mundial de Oração e Ação pelas Crianças e Jovens do mundo inteiro.

Tanto em 2010 quanto em 2011 enviei a todos uma mensagem de adesão a esta grande iniciativa inter-religiosa, promovida pela Rede Global das Religiões pela Infância (GNRC) com o apoio de Arigatou International, afirmando que só se os líderes religiosos e todos nós soubermos unir esforços poder-se-á dar uma resposta adequada às dramáticas e maciças violações da dignidade e dos direitos fundamentais das crianças e dos jovens em todo o mundo.

Neste ano, por ocasião do 20 de Novembro, quero lançar um apelo de oração e de ação: “Por uma promoção universal do direito ao Registro de Nascimento, como instrumento de luta à pobreza e de prevenção à violência contra as crianças: nunca mais crianças e jovens “inexistentes”.

50 milhões de crianças no mundo é como se não existissem, porque o seu nascimento nunca foi registrado em parte alguma. Elas por isso não podem documentar seu nome, sua nacionalidade, sua idade. E gravíssimas são as consequências de tal omissão: exclusão escolar, não-assistência sanitária, tráfico de crianças e adolescentes, exploração no trabalho, matrimônios precoces, recrutamento forçado. A Certidão de nascimento permite a uma pessoa tornar-se cidadão, assegura a proteção e o respeito aos direitos elementares. Os adultos sem registro de nascimento não poderão nunca obter legalmente um passaporte; viajar; casar; ter acesso a educação, a formação, a assistência sanitária; adquirir uma propriedade; herdar; deter um trabalho formal.

Na caminhada de aproximação ao bicentenário de nascimento do nosso santo, para nós, Família Salesiana, é necessário repercorrer em profundidade as pegadas de Dom Bosco, pai e mestre da juventude.

É um patrimônio maravilhoso o que detém a Família Salesiana entre mãos: 15 milhões de meninos e meninas, em 133 países do mundo. Reconhecemo-lo com humildade, mas também com consciência. Como fez Dom Bosco em seu tempo, devemos ser protagonistas da sua salvação.

Anseio por que as comunidades salesianas sejam capazes de promover incisivas alianças, unindo-se a outros homens e mulheres de fé, e sejam força propulsora na criação de uma nova cultura de promoção e proteção aos direitos humanos, “sem discriminação alguma, independentemente de qualquer consideração de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou outra da criança, de seus pais ou representantes legais, ou da sua origem nacional, étnica ou social, fortuna, incapacidade, nascimento ou de qualquer outra situação” (art. 2, Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança).
P. Pascual Chávez V.

Reitor-Mor


domingo, 7 de outubro de 2012

Pensamentos do Reitor Mor aos novos missionários


Missa para a 143ª expedição missionária -  (TURIM 2012.09.30)

No dia 30 de Setembro realizou-se a emocionante cerimónia do 143 envío missionário na Basílica de Maria Auxiliadora, celebração presidida pelo Sucessor de D. Bosco.
Apresentamos alguns pontos da homília proferida pelo Reitor Mor à luz da Palavra desse domingo e do acontecimento que se estava a celebrar.

Os neo-missionários sdb com o Reitor Mor
 1
Hoje o Reitor-Mor, em sua veste de Sucessor de Dom Bosco, envia 45 Salesianos, 15 Filhas de Maria Auxiliadora e 11 voluntários leigos da Itália e da Polónia.

2
Ser missionário/a é, de fato, um dom do Espírito que chama incessantemente todos os cristãos a serem discípulos, testemunhas e apóstolos do Senhor Crucificado e Ressuscitado e irem a todos os lugares…, para anunciar a salvação que Deus nos ofereceu em seu Filho.

3
(Anunciar a salvação quer dizer) traduzi-la no esforço de tornar mais humana a vida de todos através da entrega da própria vida no campo da educação, da promoção humana, da ação social.

4
Anúncio e testemunho são as duas formas de prolongar a ação reveladora de Cristo.

5
A Eucaristia, caros irmãos e irmãs, deve ser o espaço e o momento mais importante da vossa vida, da vossa jornada, porque ela vos fortificará na vossa missão de prolongar a revelação de Deus feita por Jesus, primeiro missionário do Pai.

As neo-missionárias FMA com a Madre Geral e o Reitor Mor
6
O mundo todo se tornou terra de missão – tanto a Europa como a América, a África, a Ásia e a Oceania –

7
Necessidade de se ser bons, alegres e convictos crentes, capazes de transmitir a fé, certos de que só em Cristo o homem pode alcançar a plenitude de vida, a fecundidade duradoura e a felicidade que aspira.

8
Quem anuncia o Evangelho deve saber descobrir os pontos de contacto com os outros para implantar neles, diria quase naturalmente, a mensagem da salvação.

9
Missionários "abertos" a todos os que têm alguma coisa em comum connosco: ao menos o fato de serem homens e, se crentes em Cristo, também muitas porções da verdade de fé.

10
O apóstolo de Cristo reconhece que não tem qualquer poder sobre os outros, mas só tem um "serviço" a oferecer.

Ide ao mundo e anunciai a boa-nova: Jesus é o Cristo, o Filho de Deus.
Pascual Chávez V.

sábado, 6 de outubro de 2012

O Reitor Mor ao BS: O Salesiano Cooperador (e 3ª parte)


 Salesiano Cooperador: 
cristão católico, secular e salesiano

No 24 de Maio de 1986 o Reitor Mor P. Egídio Viganó promulgava o NOVO REGULAMENTO aprovado pela Santa Sé, iluminado pelo Concílio Vaticano II.
A última assembleia-geral dos Cooperadores mudou o nome de ‘Cooperadores Salesianos’ por aquele de ‘SALESIANOS COOPERADORES’ porque parece estar mais conforme à ideia original de Dom Bosco.

Salesianos Cooperadores do Congo
Um artigo deste Novo Regulamento apresenta com claridade e com palavras actuais quem é o Salesiano Cooperador:
«O Cooperador é um católico que vive a sua fé inspirando-se, dentro da própria realidade secular, no projecto apostólico de Dom Bosco: empenha-se na mesma missão juvenil e popular, de maneira associada e fraterna; sente viva a comunhão com os outros membros da Família Salesiana; trabalha para o bem da Igreja e da sociedade; de maneira adequada à própria condição e às suas possibilidades concretas".

Logo dos Cooperadores
Termina o Padre Pascual resumindo as intenções deste artigo que nos lembra que ‘o cooperador é um verdadeiro salesiano no mundo, ou seja, um cristão, leigo ou padre, que sem as amarras dos votos religiosos, realiza a própria vocação à santidade a serviço da missão juvenil e popular segundo o espírito de Dom Bosco’.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

O Reitor Mor ao BS: O Salesiano Cooperador (2ª parte)


Os cooperadores de Dom Bosco

Desde o início dos Oratório, Dom Bosco sempre teve ao seu lado sacerdotes diocesanos e homens e mulheres de Turim que o apoiaram física e materialmente. Ele mesmo o conta nas Memórias do Oratório:
«Assim que a Obra dos Oratórios começou em 1841, alguns piedosos e zelosos padres e leigos vieram em ajuda para cultivar a messe que desde então se apresentava copiosa entre os jovenzinhos em perigo. Estes Colaboradores ou Cooperadores foram sempre o apoio das Obras Pias que a Divina Providência nos punha entre as mãos».

O ‘Colaborador/Cooperador’ salesiano abrangia uma categoria diversa de pessoas: os cooperadores com promessa, os que o apoiavam economicamente, os simpatizantes. O P. Pascual afirma que era bom ‘recuperar esta intuição genial de Dom Bosco, potenciada pelo Padre Rua e sucessores, que tornou possível a difusão mundial da Obra salesiana’.

Dom Bosco numa das suas conferências aos Cooperadores
No dia 1 de Junho de 1885 Dom Bosco apresenta numa conferência a figura do Cooperador salesiano:

«Ser Cooperador salesiano quer dizer concorrer junto com os outros para apoiar uma obra que tem por finalidade ajudar a Santa Igreja em suas mais urgentes necessidades; quer dizer concorrer para promover uma obra muito recomendada pelo Santo Padre, porque educa os jovenzinhos à virtude, ao caminho do Santuário, porque tem por finalidade principal instruir a juventude que hoje em dia tornou-se alvo dos maus, porque promove em meio ao mundo, nos colégios, nos internatos, nos oratórios festivos, nas famílias, promove, digo, o amor à religião, o bom costume, as orações, a frequência aos Sacramentos, e assim por diante».

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

O Reitor Mor ao BS: O salesiano Cooperador (1ª parte)


Dom Bosco jamais se envergonhou de pedir esmola

Na mensagem mensal do Reitor Mor à Família Salesiana publicada através do Boletim Salesiano, este mês de Outubro, o tema central é a apresentação da figura do Salesiano Cooperador.

O P. Pascual parte do facto histórico de que o próprio jovem João Bosco teve que aprender a pedir ajuda aos outros para as suas necessidades. Assim, ele mesmo conta que, como Mamã Margarida não tinha dinheiro para lhe comprar o enxoval para ir a o Seminário de Chieri, o pároco de Castelnuovo fez uma colecta entre os vizinhos para ajudar o jovem. Eis o fruto da mesma:
      «O senhor Sartoris deu-lhe a batina, o cavalheiro Pescarmona ofereceu o chapéu,  o próprio padre Cinzano deu-lhe a capa, outros lhe compraram a gola e o barrete, outros, as meias, e uma boa senhora recolheu o dinheiro necessário para dotá-lo, ao que parece, de um par de sapatos».

Sendo adolescente teve de sair de casa 'pedindo' ajuda em Moncucco
O próprio Dom Bosco repetiu muitas vezes que «Sempre precisei de todos!» (MB I,367) para levar à frente a sua obra em favor dos jovens pobres.
Até ao final da sua vida teve que ir ‘peregrinando’ de um lugar a outro por Itália, Espanha, França, pedindo ajuda a pobres e a ricos.
Eis um facto simpático que aconteceu na cidade francesa de Toulon em 1881 após D. Bosco ter dado uma conferência apresentando a sua obra e necessidades:

« Com a capa e uma bandeja de prata nas mãos fez um giro pela igreja pedindo. Durante a operação aconteceu um incidente digno de relevo. Um operário, no ato de Dom Bosco apresentar-lhe o prato, virou o rosto para o outro lado, levantando grosseiramente os ombros. Dom Bosco, adiantando-se, disse-lhe com toda a amabilidade: "Deus o abençoe". O operário, então, pôs a mão no bolso e colocou uma pequena moeda na bandeja. Dom Bosco, fixando-o, disse-lhe: "Deus o recompense". O outro, refeito do gesto, oferece duas moedas. E Dom Bosco: "Ó, meu caro, Deus o recompense sempre mais". O homem, tendo ouvido isso, tira fora o porta moedas e oferece um franco. Dom Bosco dirige-lhe um olhar cheio de comoção e vai adiante; mas, o homem, como que atraído por uma força mágica, segue-o pela igreja, vai até a sacristia, sai atrás dele pela cidade e não deixa de estar perto dele, enquanto não o vê desaparecer»  (Memórias Biográficas XV, 63).