A Ir. Ivonne R., a Madre das FMA, escreveu uma carta às suas irmãs (e não só!) por ocasião do Natal. Pelo seu belo e profundo conteúdo achamos interessante publíca-lo no BS-blog para ajudar-nos a aprofundar 'salesianamente' o Natal do Senhor.
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| A Madre quando recebeu a medalha da 'Legião de Honor' |
Queridas irmãs,
tenho o grande desejo de chegar a cada Casa e entrar em
cada um de seus corações, para lhes desejar com alegria e grande afeto um santo
Natal.
Um Natal novo, porque
é sempre surpreendente o de amor que nos envolve e invade com força
potente a história da humanidade, das famílias, dos jovens, da nossa mesma
existência, de cada pessoa com a qual partilhamos o caminho de fé e o empenho de
educar .
Vivemos este Natal à luz do Ano da fé que reforça a
nossa crença no advento da Palavra, que se faz carne e ainda hoje quer plantar
a sua tenda em nosso meio, quer habitar entre nós (cf Jo 1, 14). É maravilhoso
pensar que o amor de Deus se derrama novamente na criação, em suas criaturas e
deseja encontrar um lugar que o acolha.
Deus não se cansa de esperar, de ter paciência para que a casa, que é a humanidade toda,
resplandeça de nova luz, de esperança segura, de confiança renovada.
Os meus votos para o Instituto são concretos, simples e eu
os partilho de todo coração: que cada comunidade nossa possa ser casa que acolhe Jesus e, nEle, todos aqueles
que vivem em necessidade, na busca da verdade, da paz, da justiça,
especialmente os jovens.
Comunidades que reflitam
as feições de Belém, onde o mistério da Encarnação inaugurou a estação da
esperança. Deixemo-nos contagiar por
esta esperança, por este broto novo que mesmo na sua pequenez traz em si um
vigor inaudito.
O Natal é novo porque aquece o coração e o abre às
impensáveis possibilidades de alegria presentes no mundo, presentes também em
nossas realidades, e que pedem para vir à luz, para irradiar o bem que cada
pessoa espera para acreditar mais, para esperar mais, para amar mais, para doar
mais.
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| Quadro da capela dos Sdb de Matundo |
Penso em nossas comunidades como tantas de Belém, frágeis
talvez, mas casas com a porta sempre
aberta, onde o acolhimento se faz
proximidade, onde se constroi a comunhão
‘insieme’, onde o fazer e o atrativo
da quantidade cede lugar ao
encantamento do amor paciente, atento em tecer boas relações, em valorizar os
tempos comuns, onde Deus se faz presente e fala ao coração através de gestos
concretos de afeto, de atenção sincera para com o outro, de solidariedade para
quem espera alguma coisa para viver, com mais serenidade e esperança, a vida.
Não escondemos a nossa preocupação pela situação crítica e
sofrida que muitas partes do mundo estão enfrentando, por motivos econômicos,
motivos de pobreza moral, de negação dos direitos fundamentais da pessoa
humana, de exploração dos mais fracos e indefesos, sobretudo das crianças.
Certamente fica difícil pensar para eles um Natal de
serenidade.
Convido vocês a combaterem,
com mais coragem e determinação, estas situações, sendo vocês
construtoras de comunhão, de solidariedade no seu cotidiano, eliminando de sua
vida o sentido de desilusão, de desencorajamento ou de inutilidade. Todas somos chamadas por missão a sermos
sujeitos ativos de bem.
A fecundidade só acontece se estivermos enraizadas em
Jesus, se o acolhermos com disponibilidade no rosto das pessoas com as quais
caminhamos cada dia e ao lado das quais o Senhor nos coloca para que o Seu amor
possa se encarnar e ser visível através de nós.
Somos chamadas, de maneira envolvente, a sermos parte viva
do mistério da encarnação e torná-lo luminoso através do nosso testemunho de
vida e com obras concretas de caridade.
É forte ainda a memória da recente beatificação de Ir.
Maria Troncatti, missionária do amor de Deus, corajosa e humilde semeadora de
boas obras, que soube aplainar sentimentos de violência e de rivalidade,
transformando-os em cintilas de luz, em
possibilidades de convivência serena.
Ela, com simples meios humanos e com uma vida de fé, firme como rocha,
soube construir a casa onde os que estavam na necessidade sabiam
poder buscar e encontrar acolhida, conforto, ajuda, alegria.
Na verdade ela foi uma mulher de marca “natalina” que
construiu, na selva da Amazônia equatoriana, a “casa do amor de Deus”, a nova Belém onde o Amor encontrou casa.
Maria, Mãe de Jesus e nossa Mãe, prepare o nosso coração
para se tornar casa acolhedora, para
celebrar com fé renovada o nascimento do Filho de Deus.
A vocês, queridas irmãs, aos membros da Família Salesiana,
especialmente aos Irmãos Salesianos, às pessoas que de muitas maneiras
partilham conosco o empenho de educar e de anunciar a boa notícia do Evangelho,
aos muitíssimos jovens que encontrei em minhas viagens, desejo um novo ano de
serenidade e de paz.
Agradeço pelos numerosos votos que me enviaram e por
aqueles que chegarão e asseguro-lhes minha constante oração.
Ir. Ivonne Reungoat
Superiora Geral das FMA