quinta-feira, 17 de outubro de 2013

O Reitor-Mor nos escreve: razão, religião e bondade




Pus-me à mesa.  Enfim, saíram nove pequenas páginas. Não era um trabalho científico; antes era um “esboço”, um condensado da minha experiência pedagógica, um canto de amor e de confiança nos jovens. Era a minha profissão de fé no valor da educação.  Valores que trazia em meu coração há mais de trinta anos e que eram o específico do meu apostolado.
O texto agradou porque falava a linguagem dos jovens. Procurava ser fiel a Deus (o primeiro sonho tornava-se realidade!) e aos jovens, sem recusar nada do que acreditava ser útil e válido. Sentia-me solidário com os jovens e com os olhos postos no futuro.

Ponto de partida e de referência certa era a razão. Dialogava com os jovens. Tomava conciência de seus anseios, prevenia necessidades. O jovem sempre em primeiro lugar. Escutava-o de boa vontade e com interesse sincero. Demonstrava-lhe confiança. Meu método educativo era o da verdadeira liberdade. Estava convencido de que só pode existir educação autêntica onde houver liberdade e respeito à pessoa.
 O Sistema Preventivo nada impunha; mas propunha muitíssimo. Oferecia a visão de um sadio humanismo integral no qual o jovem era compreendido em sua inteireza. Minha preocupação era formar consciências.
Preparava os jovens para os desafios da vida. Motivava-os para o sentido do dever, do trabalho, de uma profissão honesta. Dava razões para viver com responsabilidade e alegria.


A religião era a segunda coluna do meu sistema educativo. Minha relação com Deus era a de um filho. Era um padre enamorado pela Eucaristia, pontual e paterno na escuta das confissões dos meus jovens e em infundir em seus corações a certeza do perdão e do abraço divino. Em meus contatos contínuos com eles procurava formar “bons cristãos e honestos cidadãos”. Não me cansava de indicar-lhes a santa Virgem como Imaculada e Auxiliadora.

Religião era fazer de cada jovem “uma bela roupa para o Senhor”, como acontecera com Domingos Sávio. E assim o Sistema Preventivo se transformava na pedagogia da santidade juvenil.

A «Amorevolezza»/Bondade: Típica do meu modo de educar. Distintivo inconfundível da minha pedagogia. Nesta palavra, eu encerrava um estilo de amor que identificava o educador com os jovens a ponto de amar as mesmas coisas amadas por eles, a ponto de transformar a relação educativa em estilo de presença filial e fraterna, uma presença amiga e desejada, e o ambiente educativo numa “família”. Aí estava todo o amor que eu recebera de minha santa mãe, aí jorrava o espírito de família pelo qual as obras que surgiam eram chamadas de ‘casas’, aí se respirava o amor, a confiança, o respeito, o gosto de viver e trabalhar juntos, como o tinha absorvido em meu ambiente agrícola, e a cordialidade feita de simpatia, otimismo, calor humano. Um amor que transformava os educadores em “pais amorosos”.

Com a graça de nosso Senhor e a assistência materna da Auxiliadora, triunfava a pedagogia 

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