A jovem Fma Ir. Lucia Nhantumbo saiu de Moçambique no passado mês de agosto para seguir a sua VOCAÇÃO MISSIONÁRIA ‘AD GENTES’.
Antes da saída, o BS teve a oportunidade de lhe realizar uma entrevista.
Ir. Lucia: como surgiu em ti a vocação missionária?
Tudo partiu quando eu comecei a frequentar os ambientes salesianos. É verdade que eu já cresci em ambiente salesiano, mas quando frequentei a 8ª classe e entrei pela primeira vez numa escola salesiana, eu vi Ir. Ana, ela que é me chamou muito a atenção, o trabalho que ela fazia e este desinteresse com o qual ela fazia o trabalho, atendia as pessoas… A mim isso me tocou muito. Influenciou primeiro na minha vocação, à vida religiosa. E depois, este pensar nesta possibilidade da vocação missionária.
Outro aspecto é, conhecendo a história do nosso país, as dificuldades que enfrentamos e essas irmãs que vieram, que, a pesar das dificuldades não desistiram, não voltaram aos seus países mesmo com possibilidade de regressar, não, elas apostaram que é por aqui e se é para morrer vamos morrer aqui, porque nós fizemos uma opção de vida. Então, isso a mim, interpelou-me muito e criou admiração em mim essas irmãs que deixaram tudo e estavam dispostas até dar a própria vida. Mas, em beneficio da missão, em beneficio dos jovens, preferiram ficar. Então, isso mexeu muito comigo e influenciou na minha vocação, mas não sabia como fazer ou como dizer.
Passaram os anos, o aspirantado, o postulantado, e enquanto estava no noviciado, por acaso, numas aulas sobre as Constituições, acho que eram os artigos da missão, então a minha mestra tocou nesse aspecto. Era um tempo em que o Instituto já se abriu, começou a falar-se muito da vocação missionária, então ela foi explicando. Eu fui perguntando. Aquela sementinha já existia, mas queria um pouco mais de incentivo. Então eu fui perguntado quais eram as possibilidades, como uma pessoa faz um pedido. Eu fiquei animada, mas mesmo assim eu não relaxava. Lia, perguntava e ia olhando… Fazia perguntas a algumas missionárias: como se sente, como é que é, qual é a experiência… A coisa foi ficando assim. Iam-me dizendo: reza, pede, partilha, deixa-te iluminar. Então eu fiquei nesta.
Pensei que a coisa tinha morrido, mas quanto mais o tempo passava, eu via também os voluntários, os jovens a deixarem, embora viessem por um período de um mês, dois meses, para fazer esta experiência, isso sempre mexia comigo e fazia despertar esta coisa que já estava em mim.
Então, eu me lancei e antes da Profissão Perpetua me disseram que não: faz o junioriado, faz experiência, vai vendo, também estamos nas comunidades em missões. Fiquei nessa.
Então quando estava prestes a fazer a Profissão Perpétua eu disse: agora, tenho de fazer alguma coisa. Tenho de concretizar este sonho que eu tenho já desde há muito tempo. De facto, isso aconteceu. Veio a Ir. Alaide (Conselheira Geral) no ano da Profissão Perpétua. Eu partilhei a experiência. Já vinha partilhando com a Provincial. Ela foi-me perguntando as minhas motivações. Eu disse. Ela disse que eram motivações válidas. Que rezase e se essa era a vontade de Deus iria acontecer. Então, assim foi.
Estava para vir a Madre na minha Profissão. Veio a Ir. Emília (Vigária Geral do Instituto das FMA). Partilhei também. Me animou e me disse para fazer um pedido. Tinha que esperar qualquer resposta, um sim ou um não.
Fiz primeiro o pedido à Provincial e depois esta à Madre para apresentar o relatório. Eu contava que essa resposta viesse daqui a dois ou três anos. A minha surpre
sa foi que veio em menos de um ano.
Estou aqui, prestes a enfrentar um desafio: são novas realidades, novas culturas… Mesmo assim, não me intimido com isso. Eu acredito que cada um, cada uma, faz a própria experiência. Cada uma tem a sua capacidade de inserção. Aquilo que são os meus limites, podem não ser limites na outra pessoa. Então, eu estou confiante, porque acredito que é obra de Deus. Por mim, tal vez, não faria. Mas, porque acredito que também foi inspiração divina, estou confiante e agora entrego tudo nas mãos de Deus, e espero que seja Ele a continuar a conduzir.
Qual foi a reacção da tua família?
Primeiro, como sempre, as minhas irmãs, algumas disseram: mas, este passo? Já para entrar na vida religiosa, alguma se opôs. Mas, ao final, elas disseram: se este é o teu caminho, o que tu queres, nós te vamos a dar força. Porque nós também temos as nossas opções e ninguém nos disse que não. Então, você quer, continue.
Então, agora a realidade é esta: chegou e quando a Ir. Paula conversou com a mamãe e com as duas irmãs mais velhas, então disse para ela a minha mãe: «se eu não disse não ao primeiro pedido que ela fez, quem sou eu agora para me opor ao que ela quer, ao que ela sente. Se é o que ela quer nós damos todo o nosso apoio. Acreditamos que não vai ser fácil. Estamos com ela. Está livre de partir».
E, os jovens com que tu trabalhas, já sabem? Qual foi a sua reacção?
Estão surpreendidos. Não esperavam. Sempre há aqueles adjectivos: ah, gostamos muito da irmã! Então agora que sai vai ser diferente!
Ficaram um bocadinho chocados com esta decisão: porque ir fora, se também aqui!
São perguntas difíceis de explicar porque não temos resposta. Mas eles também ficaram tocados, sensibilizados com esta realidade. Me dão apoio, embora sintam alguma falta da minha ausência. Gostaram de ouvir. Me dão apoio.
Qual é o seguinte passo a fazer? Já tens o mandato missionário?
Agora vou a Roma, e antes da formação missionária, terei um curso de italiano e depois é a preparação dum ano. Depois de lá é que a Madre Geral vai dar o destino onde é que agente vai trabalhar.
(n.d.r: Neste momento da publicação a Ir. Lúcia já se encontra no curso missionário em Roma).