terça-feira, 12 de novembro de 2013

É novembro: uma reflexão para este mês de esperança!

flor10A nossa vida é feita de tempo, sobretudo da falta dele e os dias correm, ao encontro do fim, completamente esgotados do que [afinal] não se viveu.
Talvez seja por isso que, no meio do caminho, há sinais que nos obrigam a parar e a considerar o valor das coisas e a importância das pessoas, a redefinir prioridades e a (re) traçar o rumo dos nossos passos. Talvez seja essa a razão da dor, das palavras más, das incertezas. Talvez seja essa a função das pedras e dos desníveis da estrada.
Corremos para a morte, afinal. E esquecemo-nos de que os dias foram feitos para serem vividos, na simplicidade de quem conhece o chão que pisa. Complicamos o que é claro e perdemo-nos à procura de coisas que não existem, de pessoas que não interessam, de respostas para perguntas que nem ousamos fazer. Falta-nos sabedoria, meu amigo. Falta-nos a humildade para entender que a terra gira sem nós, que a natureza renasce sem a nossa mão, que outros viverão sem nós, depois de nós, para além de nós.
Com novembro a começar, apetece-me ser outono, também, e deixar que as minhas folhas velhas se entreguem ao vento que passa. Apetece-me pensar nos meus santos e pedir-lhes que me lembrem o valor do que foi feito para mim. E percebo que a vida é um instante   e que é preciso estar sempre com as malas feitas, porque.
Com novembro a começar, decido que não vou deixar que a chuva alague os meus prantos, que o frio queime a minha alegria, que a luz se apague mais cedo. E decido mudar as voltas ao tempo e ser uma menina de tranças e perceber que dentro do saco do pão-por-Deus há um pouco de tudo: castanhas, nozes, um punhado de rebuçados e uma dose incomensurável de amor… Apetece-me. E sou. E tenho a vida dentro do saco de linho que a minha mãe bordou há uma vida atrás.
É novembro. Corremos tanto para quê?
Graça Alves – escritora madeirense

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