terça-feira, 26 de novembro de 2013

Deus o queria! dizia Dom Bosco

O Reitor-Mor, continua a CONTAR-NOS Dom Bosco numa linguagem de hoje na sua mensagem (resumo) de Novembro para o BS.

No início do meu apostolado sacerdotal, meu amigo padre Cafasso, que eu escolhera como diretor espiritual, tinha-me dado um conselho de ouro: “Caminha pela cidade, olha ao teu redor”. Devia encontrá-los no "território" deles, em campo aberto. Valia a pena tentar.

Uma batina preta

“Olhando ao meu redor” encontrei muitos jovens. Parecia-me que andassem em busca de alguma forma de diversão porque, no fundo, não sabiam alegrar-se. Gargalhavam, mas não sorriam. Depois de um palavrão ou uma blasfêmia, depois de uma bravata que desencadeava momentâneos alvoroços de gritos e risadas, caía improvisamente um silêncio irreal, o vazio. Então, depois de um momento em que eu devia passar por cima de atitudes e palavras, cabia-me iniciar o bate-papo. Ficavam curiosos, mas não me pareciam aborrecidos pela presença de uma batina preta; muitas vezes, acabava-se num boteco diante de uma ou mais garrafas de vinho. Interessava-me por suas vidas, perguntava sobre suas famílias, ficava sabendo se e onde trabalhavam; depois, lançava uma pergunta sobre a vida cristã e terminava convidando-os a irem ao oratório, quem sabe só para dar uma olhada. Na maioria das vezes, a coisa funcionava. No domingo seguinte encontrava a todos ou quase todos, um deles na fila para receber o pãozinho, outro para cumprimentar-me ou dizer-me alguma coisa; outro ainda até mesmo para se confessar.

Imagem1 Deus o queria

Aos melhores –estava falando aos meus directores-, aos mais generosos, eu acrescentava: "Nao percam tempo, façam o bem, façam-no muito e jamais se arrependerao de tê-lo feito". Com um pouco de desafio, dizia: “Se um pobre padre, com nada ou com menos de nada, perseguido por todos, pôde levar as coisas ao ponto em que estão agora, que bem o Senhor não esperará de 330 indivíduos saudáveis, robustos, de boa vontade, cheios de ciência e com os meios poderosos que agora temos nas mãos?”.

“O que havia aqui, onde nós estamos agora reunidos? Nada, realmente nada! Neste lugar e nos arredores havia campos semeados com milho, repolho, algum jardim, e nada mais. Um casebre, ou melhor, um tugúrio, ou uma taberna surgia no meio, miserável ao vê-la de fora, mais miserável dentro. E, além de tudo, era casa de imoralidade. Eu corria de um lado para o outro atrás dos jovens mais indóceis, mais dissipados; eles, porém, não queriam saber nem de ordem nem de disciplina, riam das coisas da religião, das quais eram muito ignorantes, blasfemando o nome santo de Deus, e eu nada podia fazer... Um pobre padre, sozinho, abandonado por todos, antes pior do que sozinho, porque desprezado e perseguido: tinha um pensamento vago de fazer o bem, aqui, justamente neste lugar, e fazer o bem aos pobres rapazes. Era este o pensamento que orientava todos os meus passos, todas as minhas ações. Eu queria fazer o bem, fazer muito bem, mas fazê-lo aqui. Pessoalmente, eu não posso explicar como as coisas aconteceram. Isto eu sei: Deus o queria”.

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