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sexta-feira, 16 de maio de 2014

Festa no Oratório da Matola

No domingo 11 de Maio realizou-se a festa de Domingos Sávio no Oratório de Matola.

Os rapazes e meninas presentes, animadores pelos tirocinantes e aspirantes salesianos passaram uma tarde divertida de convívio e jogos.

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terça-feira, 3 de dezembro de 2013

A Formação Profissional e o P. Angel Miranda

P. Angel: Mais uma vez de regresso a MoçambiqueImagem19

Sim, estamos acabando a expedição missionária de 2013 que faz a 21ª edição. Vimos 4 sdb coadjutores, 1 sdb cooperador e eu. Também vieram, por primeira vez, dois operários duma empresa espanhola que colabora com a ONG salesiana ‘Jóvenes y Desarrollo’ e que quer enviar os seus trabalhadores para fazerem experiência de voluntários. Pediram a nós e aqui vieram.

Esta vossa colaboração anual, 21 anos!, como a definirias?

Este nosso trabalho de ‘voluntariado’ sempre se definiu como um voluntariado técnico.

Nos dois anos anteriores, os voluntários que vieram prepararam as oficinas para o Instituto Superior Dom Bosco - ISDB, que não as tinha, e dotá-lo das áreas de electricidade, de soldadura e de mecânica.

Este ano o trabalho foi trasladar as máquinas, e fazer a experiência de uma oficina do ISDB que funcione normalmente. Funcionou durante 6 horas diárias durante todo o mês.

Qual é a impressão que deixa este trabalho nos salesianos voluntários que colaboraram e nos próprios jovens alunos?

O comentário de todos os membros do grupo é que os jovens tem uma grande vontade de aprender. Segundo, tem tomado consciência do que é o estilo preventivo, do que é a figura do educador no meio dos jovens. Eles têm convivido connosco umas 9 horas diárias, também durante o tempo das comidas.

Também está que estes jovens cumpriram uma nova e bonita tarefa: eles mesmos estão construindo e pondo em funcionamento o seu próprio centro. Eles estão a dar forma ao seu próprio centro: auto-construir a sua escola.

Qual é a tua impressão sobre a experiência deste ano?

Acho que ter as próprias oficinas no Centro modifica o ensino. Em Moçambique existe a formação profissional explicada com momentos de prática. Agora provamos que se pode fazer uma formação profissional experimentada com referências técnicas. E é possível fazê-lo no próprio centro sem necessidade de acudir a outro centro. isso muda a filosofia do centro.

Também, durante este periodo, alguns dos nossos professores tem visitado outros centros com os alunos e tivemos mais de 10 visitas doutros centros de professores que vinham fazer estágios aqui, de gente do ministério e viam outro tipo de oficina, por exemplo, onde cada aluno tem o seu trabalho, onde eles trabalham com maior autonomia sem depender só das palavras do professor. São elementos muito válidos.

A mim me parece que é uma escola, tal vez, a única. Esta escola do ISDB com essa originalidade que tem de formar Professores neste âmbito profissional, fruto dum acordo do governo connosco que somos peritos nisto, um governo que confia em nós, é um elemento muito interessante.

É interessante também que o ISDB, além desta originalidade, já começa a ter as suas primeiras promoções e o eco que recebemos é que onde começam a trabalhar professores formados aqui, muda o ambiente da escola.

Há outro dado interessante no âmbito salesiano: desta maneira, em Moçambique, os salesianos cumprimos um estilo preventivo. Estamos conseguindo que os rapazes não vão para a rua. Se temos um bom equipo de professores, os jovens não vão para à rua. Na rede salesiana, temos agora mais de 1.500 jovens alunos neste âmbito preventivo.Imagem20

Como valorizas a presença destes 4 sdb coadjutores neste trabalho realizado?

Dom Bosco estabeleceu no seu momento, sem usar as palavras de agora, o diálogo entre a fé e a cultura. Fruto desse diálogo, num início do desenvolvimento industrial, ele disse que fazia falta religiosos que estejam em contacto com um mundo industrial que estava a surgir: colocar salesianos onde outros não podem.

Por exemplo, em Espanha, entre os anos 1955 e 1969, fez-se um grande esforço neste campo, de tal maneira que a formação técnica abrangeu aos coadjutores e também aos outros sdb sacerdotes. Era uma opção importante de congregação.

Me parece muito interessante a figura do coadjutor em diálogo com a secularidade. O problema hoje é que a gente não distingue isso.

Então, neste momento o diálogo com a secularidade passa por muitos campos que haveria que pensar. Certamente, um desses campos é o técnico. Nos países, como Moçambique, que estão em desenvolvimento, ou procuramos uma formação profissional na qual ainda nós temos uma palavra importante a dizer, ou senão, em quinze anos teremos uma formação profissional e uns profissionais que crescerão num ambiente totalmente laico. Porque no nosso critério, formamos pessoas que trabalham, e no modelo de pessoas que formamos é que nos vamos diferenciar. Agora bem, se não queremos estar nesse mundo, alguém vai-se encarregar de formar outro tipo de pessoa.

Qual é a tua impressão sobre o Congresso sobre o Sistema Preventivo realizado em Agosto?

Eu creio que foi um grande esforço das duas inspectorias, fma e sdb: económico, ideológico, pastoral. Um grande esforço de presença. Foi para mim uma grande surpresa.

Nos temas que se ofereceram se respondeu claramente ao que se espera dum Congresso.

O importante é dar continuidade a este Congresso.

Havia gente de diferentes presenças, não só escolares. A presença salesiana é muito mais rica que só a escola. Pode-se-ia abrir a outros sectores.

terça-feira, 30 de julho de 2013

Assim será o Congresso sobre o Sistema Preventivo em Maputo

O BS entrevistou a Ir. Zvonka, um dos membros da equipa da preparação do Congresso sobre o Sistema Preventivo.



Quando e onde se vai realizar este Congresso e quem são os organizadores?
O Congresso vai se realizar no Centro de Acolhimento ‘Dom Bosco’, das Filhas de Maria Auxiliadora (Fma) de Infulene e será  realizado nos dias 1 a 3 de Agosto. É um trabalho em conjunto das Fma e Sdb de Moçambique.
Quem são os destinatários deste Congresso?
São as Fma e Sdb e os nossos mais estreitos colaboradores das nossas Comunidades Educativas. Seria um pouco, as pessoas chaves de cada presença. Depois, cada presença vai  decidir quantos são os que vão participar. Calculamos umas 200 pessoas entre convidados e participantes.
Como surgiu a ideia deste Congresso?
Nós, as Fma, respondendo primeiro um pouco aquilo que é o caminho pós-capitular de 2008, na linha de aprofundar o nosso carisma, aí tínhamos como compromisso o aprofundamento do Sistema Preventivo (SP) e também respondendo um pouco à preparação ao Bicentenário do nascimento de Dom Bosco, então, as FMA na nossa programação colocamos há dois anos: um primeiro  seminário sobre o SP (ano 2011) que fizemos na zona sul e na zona norte, que era uma reflexão sobre a aplicação do SP nas nossas realidades. Aproveitamos a visita da Ir. Maria Canales, Conselheira Geral da Pastoral Juvenil,  e se fez este Seminário.
Na nossa programação provincial colocamos que para o ano 2013  íamos organizar o Congresso. O Seminário realizado seria já como preparação  para o Congresso Nacional sobre o SP.
Depois, em diálogo com os irmãos salesianos, surgiu a ideia de que podíamos levar o Congresso  como Família. Nomeou-se uma comissão formada pela nossa equipa provincial Fma e outros nomeados pelos Sdb.
O que se pretende com este Congresso?
Pretendemos aprofundar um pouco mais o SP e ter mais uma sensibilização nossa e dos nossos colaboradores mais próximos das nossas presenças sobre a realidade do SP; reflectir um pouco sobre a aplicação do SP nas nossas realidades; seria um pouco também sacudirmos o que estamos fazendo: será que este SP esta pegando?, tem uma resposta aqui na nossa realidade ou só falamos muito e depois de facto, nada?
No Congresso colocamos nas mesas redondas várias experiências para ver se o SP está pegando, se o estamos transmitindo, vivendo.
Também é um momento de confronto do nosso método com a realidade educativa de Moçambique.
Depois de toda esta reflexão, cada presença, no fim, até o colocamos na programação, deveria tomar uma linha de aplicação para a realidade onde trabalhamos, o que é que fica, ou que é que levamos, para não ficarmos só na teoria.
Quais os temas que vão tratar?
O primeiro dia vamos pegar nos elementos históricos do SP. Depois falaremos dos princípios orientadores do SP e a  aplicação do SP na nossa realidade hoje.


sexta-feira, 19 de julho de 2013

D.Bosco, os jovens e o Sistema Preventivo

Lutei a vida inteira para dar novamente a muitos jovens a alegria de viver, revestindo-os de uma dignidade frequentemente pisoteada.


+ Vivi com eles para entender melhor as suas carências, as suas esperanças e os seus sonhos, para construir com eles uma vida digna de filhos de Deus.

 + Adotei com eles e para eles um sistema educativo no qual está presente um Deus bom e providente, misericordioso e paciente.

+ Coloquei Deus no coração de meus jovens porque os sabia sedentos de verdade e de justiça.

+ Fiz descobrir a nostalgia de Deus a milhares de jovens marginalizados, violentos e rebeldes.

+ Fiz-me o padre da alegria e da esperança, do perdão transmitido em nome de Jesus salvador transpassado e ressuscitado.

+ Tomei pelas mãos jovens difíceis e levei-os a saborear a felicidade de um coração novo.
                
+ Propus-lhes um novo itinerário de santidade, ao alcance deles, uma santidade simpática porque fascinante e exigente ao mesmo tempo. Fiz da alegria a minha bandeira.

+ Abri caminhos novos para educar, amar e servir a juventude.

+ Dera realmente tudo de mim pela causa dos jovens.


(Reitor Mor – BSMoz nº 53, pag 5)

sexta-feira, 7 de junho de 2013

A 'assistência salesiana'

Assim eu defino a assistência salesiana


Uma presença qualificada, jamais neutra, sempre propositiva; uma assistência que fosse acolhedora, uma presença ativa e qualificada.
Um modo de estar-com-os jovens, ao lado deles.

“Estar no pátio”, para compartilhar com os jovens sonhos e esperanças, para construir com eles um futuro mais belo e digno, sem barreiras de desconfianças.

O pátio, como lugar “sacro” de amizade e de encontro onde nasce a confiança solidária, onde o educador desce da cátedra, não tem mais à mão o diário de classe, onde não vale tanto pelos títulos de estudo obtidos, quanto pelo que é, pelos valores que exprime, pelos ideais que o animam.


D.Bosco –P. Chávez

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Paciência com os jovens

PACIÊNCIA COM OS JOVENS

Os jovens em geral erram mais por leviandade do que por malícia. E alguns educadores, levados pela pressa excessiva ou pela impaciência, cometiam erros mais graves do que as faltas dos próprios jovens. 

Não raramente, eu percebia que alguns que nada perdoavam aos outros eram muito sensíveis e prontos a se desculparem a si mesmos. E quando se usam dois pesos e duas medidas de forma arbitrária, os educadores acabam por cometer erros enormes.

Recordava com frequência aos meus salesianos que os jovens são como “pequenos psicólogos” quando julgam seus educadores, professores e assistentes, e a forma, a tonalidade e a imprudência com que aproveitam de sua autoridade.

Desejava que meus caros salesianos sempre soubessem esperar o momento oportuno para fazer a correcção necessária; jamais levados pela cólera ou pela vingança. E que jamais se esquecessem de que os meninos, os jovens devem ser conquistados um por um, dia a dia, para encaminhá-los ao Senhor, porque só Ele sabe desenhar neles o rosto divino. 
E que os meus caros salesianos sempre levassem consigo um remédio indispensável e infalível (embora não se encontre em nenhuma farmácia): antes de dizer sim ao Senhor, os jovens querem e pretendem que outros digam sim aos seus brinquedos e aos seus sonhos.

D. Bosco - P.Chávez

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Dom Bosco e os castigos

DOm BOSCO conta:
  
AMBIENTE DE LAR
Graças também à presença materna de minha mãe na antiga casa Pinardi (onde teve início a obra salesiana), havia um estilo simples de relações humanas, feito de calor paciente, compreensão e correção, em perfeito estilo de família. Com tantos em casa, a disciplina era necessária para que tudo não acabasse em confusão incontrolável. Disciplina reduzida ao mínimo, mas “acordos claros e amizade longa” como ela, em sua inata sabedoria popular, condensava as suas conclusões.

CASTIGO EDUCATIVO
Passados muitos anos e tendo às costas uma rica experiência de bons resultados, eu podia afirmar que “com os jovens, torna-se castigo o que se faz passar como tal”. Eu queria que se entendesse que o castigo deve servir para melhorar as coisas e não piorá-las. Uma breve privação de afeto, um olhar tristonho, uma atitude mais reservada e séria, uma palavrinha ao ouvido dita com doçura e paciência, eram meios dos quais me servia para corrigir e delimitar possíveis comportamentos inconvenientes.

Entre os jovens aceitos, nem todos eram como Domingos Sávio. Aconteceu certo dia que um pobre assistente, talvez não muito aceito pelos mais velhos, perdeu a paciência e acabou por distribuir sonoras chapadas na tentativamente de impor-se. Criou-se, então, um clima de surda resistência que podia acabar de um momento a outro numa perigosa forma de insubordinação descontrolada.

Todos esperavam que eu me pronunciasse; e o fiz depois das orações da noite, no momento do “boa-noite”. Como o rosto muito sério, passei a dizer qual era o nosso estilo de educação, manifestei a frustração provada ao saber que um deles fosse tratado tão duramente e que por sua vez tivesse cometido uma falta grave de respeito e de obediência para com quem era encarregado de manter a disciplina. Esclarecidas as coisas, terminei dizendo: “de um lado, jamais aconteçam insultos, de outro, jamais violências”. Dera o clássico golpe, um no cravo e outro na ferradura. Depois, fiz uma pausa, o meu rosto abriu-se num sorriso e retomei a minha fala: “Gostaria, pelo afeto que tenho por todos, fazer também o impossível... Lamento pela surra dada, mas, na verdade, não a posso desfazer”. Conseguira romper o gelo; todos riram, esperei que se fizesse novamente silêncio e desejei a todos o boa-noite.

A experiência ensinava-me que é muito mais fácil irritar-se, ameaçar, do que tentar persuadir com as boas maneiras. Era um puxar e soltar que, às vezes, cansava, mas eu sabia que certos temperamentos difíceis, rebeldes e descontrolados eu só podia vencer com a caridade, a paciência e a mansidão. Na prática, só se deixavam dobrar pela bondade, pelo coração que dialoga, que corrige com amor e delicadeza.

D. Bosco - P.Chávez

domingo, 28 de abril de 2013

Educar é uma vocação


Durante a sua vida Dom Bosco tratou a educação como uma missão e defendeu a ideia de que antes de educar é preciso amar. Relatos da sua biografia garantem que ele faria tudo para impedir que jovens abandonados ou em situação de risco fossem obrigados a comportamentos que os empurrassem para o mundo da marginalidade.  


O Sistema Preventivo de Dom Bosco sugere ao educador que se disponha a ser uma presença significativa junto dos jovens. Para atrair a sua atenção e confiança, Dom Bosco não poupou esforços. Desenvolveu habilidades várias: mágica, acrobacia, malabarismos, música, poesia, canto... O seu objetivo foi sempre conduzir os jovens para Deus.

Dom Bosco via longe, previa o futuro, mas vivia com os pés bem assentes no chão. Estava convencido de que para ter uma sociedade harmoniosa era preciso educar a juventude e oferecer-lhe os meios para que pudesse viver o seu projeto de vida com segurança e dignidade.

Embora as suas ideias pedagógicas tenham sido colocadas em prática no século XIX, a sua experiência educativa gerou frutos que permanecem espalhados pelos cento e trinta e dois países em que os Salesianos estão presentes e continuam a ter um lugar de destaque no universo da educação.
Segundo Dom Bosco, em todo o jovem, mesmo naquele que apresenta comportamento mais rebelde, há um ponto accesível ao bem e a primeira tarefa do educador é procurar esse ponto e tirar bom proveito dele. A metodologia e prática educativa de Dom Bosco permitem afirmar que os educadores assimilam a sua pedagogia tanto mais quanto considerarem a educação, não como uma profissão, ma como uma vocação. A história revela que Dom Bosco dedicou toda a sua vida aos jovens, com atitudes audaciosas e sempre aberto à inovação. Deste modo foi pioneiro na sociedade da época e proporcionou novas oportunidades a milhares de jovens.

Façamos justiça ao nome que temos, e a Dom Bosco nosso mestre e pai que pelos jovens mais pobres gastou toda a sua vida.
P. Artur Pereira
Provincial Salesiano
de Portugal

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Sejam corajosos!


Mensagem do Reitor Mora para o Boletim Salesiano - Mês de Abril 2014 (3ª parte)

Jamais me dei por vencido! Dizia aos meninos: “a coragem dos maus não brota senão do medo dos outros. Sejam corajosos e verão desaparecerem as dificuldades”.  Uma benfeitora francesa enviara-me de Lyon um santinho com uma frase que jamais esqueci porque me servia de guia: “Esteja com Deus como o passarinho que sente o ramo tremer, mas continua a cantar, porque sabe que tem asas”. Não era apenas uma expressão poética, mas um ato corajoso de confiança na Providência do Senhor, porque só Ele “é o dono dos nossos corações”.


 No momento de partir para as férias, costumava dizer aos meus meninos: “Sejam homens e não ramos! Cabeça erguida, passo firme no serviço de Deus, na família e fora dela, na igreja e na praça. O que é o respeito humano? Um monstro de papel machê que não morde. O que são as palavras petulantes dos maus? Bolhas de sabão que evaporam num instante. Não nos preocupemos com os adversários e seus sarcasmos. Recordem-se de que ciência sem consciência não é senão a ruína da alma”. E acrescentava: “Nada no mundo nos deve assustar. Ajam hoje de modo que não tenham que se enrubescer amanhã”...

Eu não me cansava de inculcar em suas cabecinhas: “Deem glória a Deus com a própria conduta, consolação a seus pais e superiores. Caso contrário, um jovem preguiçoso, indisciplinado, será um jovem infeliz, será um jovem de peso para os pais, de peso para os superiores, será de peso para si mesmo”.

De Valdocco haveriam de sair os futuros “bons cristãos e honestos cidadãos”, dos quais o mundo tanto precisava.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Para os meus meninos eu exigo justiça!


O Reitor Mor escreve ao Boletim Salesiano - Mês de Abril 2013 (2ª parte)

Depois, havia aquele bendito sonho tido aos 9-10 anos (sonho que ainda se repetiria outras vezes!), que me vinha sempre à mente, e o desejo de ser padre para os jovens que se tornava sempre mais forte...

Foi então que fiz uma coisa   realmente contrária ao meu gosto, pela qual obtive do meu carácter uma grande vitória, uma verdadeira conquista: estender a mão para pedir uma ajuda, qualquer coisa desde que pudesse realizar o meu sonho. Mais tarde, eu confessarei a um salesiano: “Você não sabe quanto me tenha custado pedir esmola”. Com meu temperamento orgulhoso, não era certamente fácil chegar à humildade de ter que pedir.

Minha coragem era alimentada por uma grande confiança na Providência; e também isso eu aprendera de minha mãe.  À sua escola, eu aprendera uma regra que sempre me orientava:  “Quando me deparo com uma dificuldade, faço como quem encontra a estrada obstruída por uma grande pedra; se não posso removê-la, passo ao seu lado”.

E posso garantir-lhe: encontrei muitas dessas grandes pedras no meu caminho. Aceno brevemente a algumas delas. 1860, por exemplo, foi um ano tipicamente difícil. Morrera o padre Cafasso, meu amigo, confessor e diretor espiritual; fazia-me muita falta a sua presença, o seu conselho e também a sua ajuda financeira.

Depois, da parte do governo, surgiram grandes dificuldades, autênticas “grandes pedras”: inquirições orientadas e devastadoras em Valdocco, como se eu fosse um delinquente! Meus meninos viviam aterrorizados, enquanto guardas armados entravam por todos os lados. As inquirições continuavam a criar um clima de medo e incerteza. Pedi, por escrito, uma audiência ao ministro do Interior, Luís Farini. Tive a coragem de dizer-lhe com humilde franqueza: “Para os meus meninos, eu exijo justiça e reparação honrosa para que não lhes venha a faltar o pão da vida”. Sei que arriscava muito, pois estes homens de governo eram anticlericais, mas não me faltou a coragem necessária. E assim, aos poucos, as inquirições cessaram.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Eu era um garotinho vivo e atento


Mensagem do Reitor Mor ao Boletim Salesiano - Mês de Abril 2013 (1ª parte)

Eu era um garotinho vivo e atento que, com permissão de minha mãe, ia às várias festas campestres nas quais se apresentavam saltimbancos e ilusionistas. Punha-me sempre na primeira fileira, atento aos movimentos com que procuravam distrair os espectadores. Aos poucos, eu conseguia descobrir os seus truques; voltando para casa, repetia-os por horas a fio. Com frequência, porém, os movimentos não produziam o efeito desejado. Não foi fácil caminhar sobre aquela bendita corda suspensa entre duas árvores! Quantas quedas, quantos joelhos esfolados! E, muitas vezes, vinha-me a vontade de deixar tudo prá lá... Depois, recomeçava suado, cansado e, às vezes, também angustiado. Depois, aos poucos, conseguia equilibrar-me; sentia a planta dos pés descalços aderirem à corda; tornava-me uma só coisa com os movimentos dos pés e, então, divertia-me contente repetindo e inventando outros movimentos. Eis porque, quando falava aos meus meninos, dizia-lhes: “façamos as coisas fáceis, mas façamo-las com perseverança”. Eis aí a minha pedagogia essencial, fruto de muitas vitórias e de tantas outras derrotas, com a obstinação que era minha característica mais marcante.

Assim nasceu meu estilo de educar, sem palavras difíceis, sem grandes esquemas ideológicos, sem referências a muitos autores ilustres. Assim nasceu a minha pedagogia, aprendida nos campos dos Becchi, mais tarde nas ruas de Chieri e, mais tarde ainda, nas prisões, nas praças, nas ruas de Valdocco. Uma pedagogia que teve origem num pátio.

 Alguns anos depois, demonstrei coragem quando ao chegar a Chieri para continuar os estudos fui acolhido pelo professor, diante de todos os estudantes, com uma frase muito entusiasmante: “Este garoto ou é uma grande toupeira ou um grande talento”. Era para ficar confuso ao extremo; mas recordo-me que sai bem com estas palavras: “Alguma coisa pelo meio disso, senhor: sou um pobre jovem que deseja fazer o seu dever e progredir nos estudos”.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Comunidades educativas de Inharrime em formação


  Às 8,30 h do dia 16 de Fevereiro iniciou o encontro de formação das comunidades educativas do Colégio Laura Vicunha das Fma e da Escola Profissional Domingos Sávio dos Sdb de Inharrime. O encontro foi organizado pela Comissão inspectorial das Escolas das Fma.
Além dos sdb e fma presentes das duas comunidades, participaram 73 professores e auxiliares.
A Ir. Albertina, directora do Laura Vicunha, iniciou o encontro com um momento de escuta e partilha da Palavra de Deus.
À Ir. Carolina, da comissão de escolas, apresentou o documento 'Carta de identidade das escolas e centros profissionais' das Fma.
Às 9.40 h. a Ir. Alice Albertina, Fma da comunidade de Nampula e professora de comunicação social na Universidade Católica, deu inicio ao seu tema formativo sobre a 'Educomunicação e Escola'.
Após o intervalo do almoço, o P. Rogelio, da comunidade salesiana de Matola, apresentou um power point para apresentar o conteúdo da Estreia 2013, do Reitor Mor, sobre o Sistema Preventivo.
O P. Bambo,sdb, animou diversos momentos do encontro para ajudar a despertar os que caíam na tentação de dormir, mas não só: foram cantos para os professores aprenderem e utilizarem como meios de animação entre os educando.
Às 15,30 acabou o encontro com a satisfação no rosto dos participantes.
Foi valorizado como positivo este encontro formativo entre as duas obras salesianas. Trabalhando em conjunto serviremos melhor aos jovens e mostramos em realidade o que é a Família Salesiana.

A Ir. Lucilia, directora da Obra Fma de Inharrime acolhendo os participantes
Meninas do internato das Fma de Inharrime
A Ir. Carolina apresentando a Carta de Identidade dos Centros FMA

A Ir. Alice Albertina apresentando a educomunicação



O P. Rogelio apresentando o comentário da Estreia 2013
O Padre Bambo animando o encontro com cantos

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Patrick: um fruto do Sistema Preventivo


Ver-se, aos seis anos, sem pais, maltratado pelos parentes, com mais a responsabilidade de cuidar dos irmãos mais pequenos: eis infelizmente uma situação ideal para decidir-se a viver pelas ruas. Foi o que aconteceu a Patrick, que entretanto teve a sorte, grande, de achar quem lhe desse a possibilidade de voltar a sonhar. Vejamos a sua história contada em ANS:

Meu nome é Patrick Ngugi Gichuhi. Nasci em 1986 de uma família muito humilde. Sou o primeiro de seis filhos: tenho três irmãos e duas irmãs. Dispunha de uma linda família  que tanto cuidava de nós. Mais importante ainda: eu sonhava. Sonhava como qualquer outro rapaz que tem uma família que o possa ajudar a realizar seus sonhos. Entretanto, todos eles acabaram por se desvanecer com o passar de pouquíssimos anos...
Em 1991 meus pais se separaram: é que meu pai se dedicava, como trabalho, a traficar com maconha, passando a maior parte do tempo na cadeia, em vez de tomar conta da família. Minha mãe, depois de toda uma série de esforços para convencê-lo a mudar de profissão, chegara a um ponto de não mais volta: e foi embora, deixando-nos a todos nós.
Meu pai decidiu levar-nos à nossa casa de campo, em Nyeri, onde tínhamos parentes pelo lado de minha mãe; mas porque o pai não tinha com eles bons relacionamentos, em vez de levar-nos diretamente a meu avô, simplesmente descarregou-nos numa cidade vizinha, Kiganjo, encarregando-me de cuidar dos meus irmãos e de achar os meus parentes.
Depois de algum tempo achei quem me ajudou a encontrá-los. Mas, para minha grande surpresa, eles não foram nada hospitaleiros conosco. Além disso, havia maus tratos que se repetiam…. Não nos consideravam da família: viam-nos como um peso. Por tudo isso em 1992 eu e o meu irmão menor, deixamos Nyeri e fomos a Karatina, de onde depois de poucos dias partimos para Nairóbi. Ali nos tornamos ‘meninos de rua’.
Decidimos viver, mendigar, comer, e dormir sempre na rua. Isso durou dois anos. Em 1995 fomos presos como… parqueadores abusivos e enviados a um centro para a infância, em Kabete. Depois de um ano, porque ninguém viera a interessar-se por nós, o Ministério Público me perguntou o que desejava fazer. Ouvira falar, através de alguns rapazes, de um lugar chamado ‘Dom Bosco’, onde as crianças podiam ir à escola, receber comida e roupa, e, sem vacilar, disse que queria ser adotado por Dom Bosco.
Fui recebido pela comunidade salesiana de Nairóbi-Kariua, uma das sedes do programa “Bosco Boys”; e retomei os estudos. De ali, graças aos meus bons resultados escolares, fui inserido no primeiro grupo que, da escola salesiana, passava às escolas públicas de grau superior, completando todos os níveis e chegando, com a graça de Deus, até conseguir o Láurea em ‘International Business Administration’ (Administração Internacional de Empresas) com especialização em Finanças.

Sinto uma profunda gratidão pelos Salesianos de Dom Bosco por seu empenho e determinação em ajudar jovens como eu a dar um novo rumo à sua vida.

Como a eles agradeço também a todos os benfeitores e protetores.

Mas sobretudo agradeço ao nosso bom Senhor Jesus Cristo, que me concedeu obter estes meus sucessos. No fim, de fato, não seremos julgados por quantos diplomas tivermos obtido, ou por quanto dinheiro tivermos ganho, ou por quantas coisas grandes tivermos feito; mas pelo critério “tive fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber, era forasteiro e me recebestes, estava nu e me vestistes” (Mt 25,35-36). 


sábado, 9 de fevereiro de 2013

As Comunidades Educativas FMA em formação


A Ir. Isoleta acolhendo os participantes

 No Centtro de Acolhimento das FMA de Infulene, realizou-se no dia 9 de Fevereiro, o encontro anual das Comunidades Educativas FMA da zona de Maputo (Cidade e Província). Participaram 120 pessoas entre FMA, professores, monitores e pessoal auxiliar das obras, provenientes de Namaacha (Colégio e Noviciado), Bairro do Jardim (Casa Madre Rosetta e CFP Dom Bosco), Casa Provincial e Infulene.

O encontro começou às 8,00 horas, sendo aberto pela Ir. Carolina, coordenadora provincial das Escolas e Centros Profissionais das FMA de Moçambique. Aproveitou para fazer a apresentação oficial do novo documento ‘CARTA DE IDENTIDADE DAS ESCOLAS E CENTROS PROFISSIONAIS’ das FMA. Dito documento irá orientar todo o trabalho educativo nos próximos anos.
 A directora da casa de Infulene, a Ir. Isoleta acolheu oficialmente os participantes e guiou a oração inicial com um ‘Pai Nosso’ digital rezado por todos.
Um grupo de crianças de Infulene acolheu os hóspedes com um numero artístico.



O Sr. Gaudêncio, um jovem fruto do trabalho educativo das FMA e técnico em Comunicação Social, guiou o primeiro momento formativo provocando uma reflexão e ulterior diálogo, bastante enriquecedor, sobre as ‘Redes Sociais’ e a escola.

A seguir ao intervalo, a Ir. Alice Albertina FMA, professora de Comunicação Social na Universidade Católica em Nampula, apresentou a ‘EDUCOMUNICAÇÃO’ na educação das Obras salesianas abrindo a mente a este mundo importante, real e desconhecido para muitos dos participantes, mas que nos deve estimular a conhece-lo e a utilizá-lo na educação. Lembrou-nos que:
            - A comunicação é um elemento essencial da educação
            - Quando damos uma aula estamos a comunicar
            - Para todo saber nós precisamos da comunicação.

Após o almoço, o Padre Rogelio Arenal, salesiano de Matola, apresentou a Estréia do Reitor Mor para 2013, sendo o núcleo central do power point que apresentou o ‘Sistema Preventivo’. Convidou a todos os professores/as e auxiliares das escolas a serem ‘pais e mães’ dos educandos, e assim poderão compreender melhor  e pôr em prática o Sistema Preventivo.

Com as ultimas recomendações da Ir. Carolina o encontro terminou dentro do horário estabelecido. Embora o calor do dia fosse forte e cansativo todos fizeram esforço grande para estar atentos e participantes.
Obrigado à Comissão das Escolas e Centros Profissionais das FMA por esta iniciativa tão importante.

Estréia 2013 - Sistema Preventivo

Também pode ser visitada directamente no programa de issuu:

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Magone, o rapaz da rua que encontrou Dom Bosco


Tríduo: Dom Bosco e Miguel Magone, desafio educativo
MIGUEL MAGONE: O ‘general de Carmagnola’
(ANS – Roma) - Desde o primeiro encontro com Miguel Magone, Dom Bosco nos revela a sua arte de educar positivamente, propondo a Miguel uma alternativa à sua vida desordenada e envolvendo-o em experiências possíveis e atraentes.
Dom Bosco entra sem medo na vida de Miguel, toma-o pela mão e desencadeia nele aquele dinamismo típico do sistema preventivo que faz crescer “desde dentro” os seus jovens, leva-os com alegria e satisfação ao bem, os faz conscientizar-se dos riscos que correm perseverando em caminhos errados e prepara para o amanhã através de uma sólida formação do carácter e da consciência.
Na escola de Dom Bosco e sob o olhar paterno, através da prática perseverante de pequenos exercícios fáceis e agradáveis na vida de oração, de estudo e de caridade, Miguel chega a um maravilhoso grau de perfeição. Dom Bosco de fato está convencido de que “o esplendor da caridade pode ofuscar-se e perder-se a cada pequeno sopro de tentação; assim, qualquer coisa, ainda que muito pequena, que possa contribuir para conservá-lo, deve considerar-se de grande valor”. Expressão típica de tal pedagogia e solicitude educativa foram os famosos “sete carabineiros de Maria”, conselhos que Miguel confia a um colega a fim de custodiar a virtude da pureza, convidando-o a lê-los e a praticá-los.
Este espírito de viva fé, alimentado por uma filial devoção a Maria, vinha unido “à mais industriosa caridade para com seus colegas: sabia que o exercício desta virtude é o meio mais eficaz para aumentar em nós o amor de Deus. Esta máxima ele a praticava nas mais pequenas ocasiões”. Miguel, de menino de rua, litigioso e violento, se torna animador da recreação, consolador dos companheiros aflitos, agente de paz e de reconciliação. A prática da caridade concreta e operosa, leva-o a construir amizades verdadeiras, que ajudam os seus colegas a libertar-se de fáceis enganos, a refazer relações abertas e sinceras com os pais e os professores, a viver uma quotidianidade alegre e operosa.
Miguel amadurece, assim, na consciência de ter faltado ao amor de Deus e de não ter sido obediente à sua vontade: “Eu choro ao contemplar a lua que por tantos séculos comparece com regularidade a iluminar as trevas da noite, sem nunca desobedecer às ordens do Criador, enquanto que eu, que sou tão insignificante, eu, que dotado de inteligência, deveria ter sido fidelíssimo às leis do meu Senhor, eu lhe desobedeci tantas vezes; e de mil modos o ofendi”.
Esta consciência o levará na hora da morte a mandar, através de Dom Bosco, uma mensagem à mãe, como vontade última de reconciliação e de paz: “Sim, digam a minha mãe, que me perdoe todos os desgostos que lhe causei na minha vida. Estou muito arrependido. Digam-lhe que eu a amo; que persevere com coragem no fazer o bem; que eu morro de boa vontade; que eu parto deste mundo com Jesus e com Maria; que vou esperar por ela no Céu”.
Miguel Magone era órfão de pai. Quando se encontrou pela primeira vez com Dom Bosco na estação de Carmagnola ouviu a recomendação: “Hoje de noite faça uma oração fervorosa ao nosso Pai que está nos céus; reze de coração, confie nele e ele haverá de providenciar por mim, por si e por todos”. O Pai-nosso de Miguel Magone, dito de coração, revelou o amor providente e previdente de Deus através do carisma de Dom Bosco.
O convite do P. Cameroni é, neste segundo dia do tríduo: viver um momento de oração familiar meditando e recitando o Pai-nosso, oração de fé em Deus, de amor fraterno e de perdão recíproco.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Jovem com os outros jovens


APRENDI A SER JOVEM E HOMEM (e 4)
Eu, Dom Bosco, te apresento os valores que respirei, que aprendi a viver e, em seguida, transmiti como herança aos meus salesianos. Com o passar dos anos, serão as bases da minha pedagogia.


O gosto de trabalhar em conjunto. Por muitos anos, fui protagonista absoluto entre os meus colegas: penso nas primeiras experiências como saltimbanco nos Becchi, naquelas esplêndidas tardes de domingo; penso na popularidade adquirida entre meus colegas de escola em Chieri, a ponto de numa página autobiográfica eu poder afirmar que "era venerado pelos meus colegas como capitão de um pequeno exército". Mas, depois, compreendi que o protagonismo era de todos. Surgiu, então, a Sociedade da Alegria, um grupo simpático de estudantes no qual todos atuavam em posição de paridade.  O Regulamento era composto por três brevíssimos artigos: estar sempre alegres, cumprir bem com os próprios deveres, evitar tudo que não fosse digno de um bom cristão. Mais tarde surgirão as Companhias, grupos juvenis, verdadeiros laboratórios de apostolado e santidade ao alcance de todos. Dizia que elas eram "coisa de jovens" para favorecer a iniciativa deles e dar espaço à sua criatividade natural.

O prazer de estar juntos. Eu queria que os educadores, jovens ou idosos que fossem, estivessem sempre entre os jovens, como "pais amorosos". Não por desconfiança em relação a eles, mas justamente para caminhar com eles, construir e participar com eles. Chegarei a dizer com íntima alegria: "Entre vocês, sinto-me bem. Minha vida é justamente estar com vocês".

(Pascual Chávez, mensagem de Janeiro para o BS)

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Saber escutar aos jovens


APRENDI A SER JOVEM E HOMEM (3)
Eu, Dom Bosco, te apresento os valores que respirei, que aprendi a viver e, em seguida, transmiti como herança aos meus salesianos. Com o passar dos anos, serão as bases da minha pedagogia.

"Raciocinemos!" Nossos velhos pronunciavam este verbo em piemontês; e quanta sabedoria eu descobria nessa palavra. Era usada para dialogar, explicar-se, chegar a uma decisão comum, tomada sem que alguém quisesse impor o próprio ponto de vista. 

Depois, farei do termo "razão" uma das colunas mestras do meu método educativo. A palavra "razão" será, para mim, sinônimo de diálogo, acolhida, confiança, compreensão; será transformada numa atitude de busca para que não haja rivalidade entre educadores e jovens, mas tão somente amizade e estima recíproca. 

Para mim, o jovem jamais será um sujeito passivo, um simples executor de ordens. Em meus contatos com os jovens, jamais farei de conta que estou escutando; eu os escutarei realmente, discutirei o ponto de vista deles, as suas razões.
(Pascual Chávez, mensagem de Janeiro para o BS)

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

O P. Viganó fala sobre o Sistema Preventivo


O 7º Sucessor de Dom Bosco, P. Egidio Viganó, escreveu uma Carta a toda a Congregação Salesiana sobre o ‘Sistema Preventivo (SP) na educação da juventude’ (1982). Apresentamos alguns trechos da sua carta (escritos em negrita).



1- «Na mente de Dom Bosco e na nossa tradição viva, O SP «tende sempre mais a identificar-se com o ‘Espírito Salesiano’: é ao mesmo tempo pedagogía, pastoral, espiritualidade’».
REFLEXÃO DO BS: O educador salesiano, consagrado ou leigo, vive o Sistema Preventivo na unicidade do seu ser e agir, sendo ao mesmo tempo: DISCÍPULO DE CRISTO, EDUCADOR E EVANGELIZADOR.

2- «O SP é uma componente, ou se quisermos, uma síntese vital da ‘índole própria’ que nos distingue no Povo de Deus como Salesianos de Dom Bosco».
REFLEXÃO DO BS: O nosso logo de identidade não são as obras em favor dos jovens, mas sim a nossa maneira de TRABALHAR E ESTAR com os jovens e para os jovens. O SP é o elemento dinamizador que da a tonalidade ao ser e ao fazer (Cfr. a afirmação superior sobre o primeiro sucessor de Dom Bosco).

3- O centro do espírito salesiano é a ‘caridade pastoral’ ou ‘bondade’: «um amor visível e familiar que sabe suscitar uma resposta de amor e cria um clima e um ambiente de carinho visando o fim último da vida»... Segundo o famoso Padre Caviglia «esse amor deveria constituir o objeto do quarto voto dos Salesianos: o voto de bondade ou da prática do SP».
REFLEXÃO DO BS: O SP, através da ‘caridade pastoral’, ‘bondade’ (= ‘amorevolezza’ :a palavra própria de D.Bosco) vive desta maneira o mandamento evangélico do amor. Podemos afirmar assim que o SP é a nossa maneira concreta de viver o Evangelho. Isto é muito mais que ser professor, muito mais que ser simples educador... Implica a nossa vida, o nosso coração, a nossa fé!

4- «O próprio nome de ‘Salesianos’ (= de São Francisco de SALES) nasceu justamente em vista da prática dessa caridade-bondade, olhando para um santo que tinha encarnado a ‘bondade e humanidade’ do Salvador. É, pois, um nome qualificador que caracteriza a nossa vocação e nos aponta a tarefa de que nos devemos sentir responsáveis na Igreja. Toda a vida de Dom Bosco é como um comentário aos conteúdos desse nome».