Depois,
havia aquele bendito sonho tido aos 9-10 anos (sonho que ainda se repetiria
outras vezes!), que me vinha sempre à mente, e o desejo de ser padre para os
jovens que se tornava sempre mais forte...
Foi então
que fiz uma coisa realmente contrária
ao meu gosto, pela qual obtive do meu carácter uma grande vitória, uma
verdadeira conquista: estender a mão para pedir uma ajuda, qualquer coisa desde
que pudesse realizar o meu sonho. Mais tarde, eu confessarei a um salesiano: “Você
não sabe quanto me tenha custado pedir esmola”. Com meu
temperamento orgulhoso, não era certamente fácil chegar à humildade de ter que
pedir.
Minha
coragem era alimentada por uma grande confiança na Providência; e também isso
eu aprendera de minha mãe. À sua escola,
eu aprendera uma regra que sempre me orientava:
“Quando me deparo com uma dificuldade, faço como quem encontra a
estrada obstruída por uma grande pedra; se não posso removê-la, passo ao seu
lado”.
E posso garantir-lhe: encontrei
muitas dessas grandes pedras no meu caminho. Aceno brevemente a algumas delas.
1860, por exemplo, foi um ano tipicamente difícil. Morrera o padre Cafasso, meu
amigo, confessor e diretor espiritual; fazia-me muita falta a sua presença, o
seu conselho e também a sua ajuda financeira.
Depois, da
parte do governo, surgiram grandes dificuldades, autênticas “grandes pedras”:
inquirições orientadas e devastadoras em Valdocco, como se eu fosse um
delinquente! Meus meninos viviam aterrorizados, enquanto guardas armados
entravam por todos os lados. As inquirições continuavam a criar um clima de
medo e incerteza. Pedi, por escrito, uma audiência ao ministro do Interior,
Luís Farini. Tive a coragem de dizer-lhe com humilde franqueza: “Para os
meus meninos, eu exijo justiça e reparação honrosa para que não lhes venha a
faltar o pão da vida”. Sei que arriscava muito, pois estes
homens de governo eram anticlericais, mas não me faltou a coragem necessária. E
assim, aos poucos, as inquirições cessaram.


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