Mensagem do Padre
André Kazembe, animador da Comissão Missionária:
Queridos coordenadores
e animadores de grupos juvenis, as nossas páginas LEMBRESTE pede que os
nossos grupos sejam:
A) Evangelizadores, capaz de fazer um anúncio explícito da Boa Nova
do Reino e de convocar para o mutirão da evangelização;
B) Proféticos, contribuindo para que os cristãos sejam pessoas
corajosas, capazes de denunciar aquilo que contraria o projeto de Deus e de
anunciar a libertação realizada por Ele;
C) Tocadores
profundamente das consciências e
possam fascinar os jovens, despertando um forte desejo de seguir Jesus Cristo;
D) De ajuda para os
vocacionados a cultivar uma
mística e uma espiritualidade, entendidas como vida de intimidade com a
Trindade. Só elas criam o elã necessário para realizar a missão no mundo,
especialmente entre os excluídos ( pobres, doentes, marginalizados, famintos,
humiliados).
E) Um lugar de
comunhão e de participação, onde
as pessoas aprendam a servir, a respeitar a diversidade de dons, carismas e
ministérios, e a cultivar a unidade que deve caracterizar a comunidade.
A MISSÃO: proclamar a
PAZ do reino!
A comunhão de vida com o
Pai, mediante a oração, ilumina e pressupõe a atividade dos discípulos. De fato
Mt 10,1-16 deixa bem claro que os Doze não devem só rezar, mas devem também
agir. De que jeito? O evangelista mostra que os Doze devem agir do mesmo jeito
do Mestre: proclamar a presença do Reino (10,7) mediante actos concretos de
libertação do mal (10,8). Podemos então notar uma 1a etapa (10,1-4) em que Mt
evidencia a iniciativa de Jesus em chamar os Doze; qual é a atividade exigida
(lutar contra o mal e promover a vida) e quem são os 'operários' escolhidos (os
nomes dos Doze). A 2a etapa (10,5-16) apresenta Jesus que 'envia' os Doze,
dando-lhes ao mesmo tempo as instruções necessárias frente a situações de
hostilidade ('ovelhas entre lobos':v.16). Há 3 elementos que chamam a atenção.
1. Antes de tudo o
missionário deve dirigir-se a quem está perto (notemos em 10,5 uma restrição de horizonte: os mais distantes (os
Gentios) os vizinhos (Samaritanos) e os próximos (ovelhas perdidas da casa de
Israel). Não adianta sonhar de pregar o Evangelho aos mais distantes se não
vemos a necessidade das 'ovelhas perdidas' que estão perto! Será preciso
lembrar que toda missão começa em casa? Em seguida o Anúncio do Reino poderá
seguir o caminho de horizontes mais amplos (At 1,8). Assim como Jesus limitou
sua atividade a Israel (15,24), também os Doze devem por enquanto exercer sua
atividade dentro dos limites do povo de Israel(10,6). Segundo Mt, os limites
serão rompidos pelo acontecimento da Ressurreição; lá então a missão dos Doze
superará os limites geográficos para se tornar universal (Mt 28,19-20). O que interessa
realmente não é chegar a todos os lugares, mas é ser sinal do amor e da
presença do Reino em qualquer lugar... mas a partir da própria casa!
2. Uma outra dimensão
que qualifica a missão é a gratuidade (10,8-10). Todo discípulo deve levar adiante a atividade de Jesus
(cfr.Mt.8-9) proclamando e agindo sem interesse. A missão é, e será sempre um
dom! Pois é somente a partir da lógica da gratuidade que o mal pode ser
vencido. Esta exigência comporta a promoção e a defesa da vida em nível pessoal
(por fora: curar os doentes; por dentro :ressuscitar os mortos) e em nível
comunitário (por fora: purificar os leprosos; por dentro: expulsar os
demônios). A gratuidade deve ser a única motivação do missionário, pois essa é
a garantia de que ele está em sintonia com o Mestre. Então podemos entender por
que o 'estilo de vida' apostólico é marcado pela pobreza. Ser 'operário' na
colheita do Senhor (9,38) é desde sempre a maior riqueza dos Apóstolos.
3. Pregação e
atividade missionária se expressam na oferta da Paz do Reino. Trata-se de uma realidade que através das
relações humanas quer comunicar a 'plenitude dos bens messiânicos' a todos. No
entanto, segundo a lógica da gratuidade, a Paz do Reino não pode ser imposta, é
um dom que deve sempre respeitar a liberdade dos destinatários. Aqui
encontramos uma outra qualidade do trabalho missionário que é irmã gêmea da
pobreza: trata-se da "fraqueza"! Não é suficiente realizar a missão
sem interesse algum, mas é preciso realizá-la, totalmente desarmados (ovelhas
entre lobos). Para que isso aconteça, Jesus oferece dois critérios: a simplicidade
das pombas, símbolo de fidelidade, sinceridade e transparência, faz com que
a Mensagem não seja reduzida a um produto do mercado; a prudência das
serpentes, símbolo da habilidade de avaliar a situação de perigo, indica
que a eficácia da Mensagem não pode ser negociada, nem buscando garantias de
êxito, nem por diplomacias...
BOA MISSÂO!

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