segunda-feira, 29 de abril de 2013

Sou fruto do Projeto África e um presente à Oceânia

A minha família é a raiz da minha vocação missionária. Para mim, meu pai e minha mãe são exemplos vivos de caridade e de fé. Lembro-me de que quando criança caprichava em memorizar o evangelho dominical a fim de que fosse escolhido para o dramatizar na frente dos meus coetâneos durante a catequese dominical. Voltando para casa, eu e os meus amigos rivalizávamos por repetir as orações que havíamos ouvido durante a Missa, até que um dia minha mãe veio a saber: proibiu-nos terminantemente imitar as orações do Sacerdote na Santa Missa. Obedeci. Mas sempre quis ser sacerdote.

Depois do colegial, pedi e fui aceite como aspirante salesiano. Durante esse tempo decidi manifestar o meu desejo de ser missionário ao meu director espiritual e ao Director da Comunidade: ambos me incentivaram a rezar.
Como jovem salesiano, minha vocação missionária cresceu ainda mais concretamente, sobretudo quando fui mandado fazer uma experiência apostólica num campo de refugiados. Devia ocupar-me dos meninos. Num dia de calor, estava cansado: preferi não participar dos jogos dos rapazes, embora estivesse ali presente fisicamente. Um deles se aproximou e sentou-se a meu lado. Passados alguns momentos de silêncio, perguntou: “Irmão, o que foi que Deus não lhe concedeu? É que vejo que hoje o senhor não está feliz”. Não consegui responder e devolvi a pergunta... De repente debulhou-se em lágrimas. Mais tarde, vim a saber que fora um soldado e que a sua experiência continuava a torturá-lo. Quando, por fim, eles voltaram às suas terras, os rapazes me convidaram a ir com eles.
Essa experiência me ficou muito viva na lembrança. Depois das férias de verão, voltei a falar de missões com os meus directores, que me ajudaram a fazer o discernimento. Por último enviei o meu pedido ao Reitor-Mor que me destinou a Papua Nova Guiné, no Pacífico.
“Por que vai ao exterior se na África precisamos tanto de missionários?” – foi a pergunta que muitos me fizeram. De fato, a África precisa ainda de muitos missionários. Mas é também verdade que minha Inspectoria-Mãe recebeu muito. Graças aos sacrifícios dos missionários do Projeto África, o carisma salesiano já é florescente. Creio que agora chegou o momento de compartilhar dos primeiros frutos já obtidos.
Estou realmente feliz por ter sido enviado a Papua Nova Guiné, a este povo tão alegre e acolhedor. O que me impressiona é que há tantas ilhas na Oceânia que esperam pelo presente de um missionário que os ajude a aprofundar a Fé.
Para mim o início não foi nada fácil: a comida e a cultura foram algumas das minhas experiências mais duras. Foram muitas as noites passadas em claro! Agradeço ao ‘Curso de Novos Missionários’, de Roma, que me preparou psicologicamente a enfrentar esse choque cultural e ser realista perante o que me espera. Contar com um director espiritual ajudou-me também a ver a realidade por outra perspectiva, diferente: que nós, missionários, podemos fazer florescer o carisma salesiano também aqui.
Clérigo Stephen Musya Maswili
 SDB de Quénia

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