Depois do colegial, pedi
e fui aceite como aspirante salesiano. Durante esse tempo decidi manifestar o
meu desejo de ser missionário ao meu director espiritual e ao Director da
Comunidade: ambos me incentivaram a rezar.
Como jovem salesiano,
minha vocação missionária cresceu ainda mais concretamente, sobretudo quando
fui mandado fazer uma experiência apostólica num campo de refugiados. Devia
ocupar-me dos meninos. Num dia de calor, estava cansado: preferi não participar
dos jogos dos rapazes, embora estivesse ali presente fisicamente. Um deles se
aproximou e sentou-se a meu lado. Passados alguns momentos de silêncio,
perguntou: “Irmão, o que foi que Deus não lhe concedeu? É que vejo que hoje o
senhor não está feliz”. Não consegui responder e devolvi a pergunta... De
repente debulhou-se em lágrimas. Mais tarde, vim a saber que fora um soldado e
que a sua experiência continuava a torturá-lo. Quando, por fim, eles voltaram
às suas terras, os rapazes me convidaram a ir com eles.
Essa experiência me ficou
muito viva na lembrança. Depois das férias de verão, voltei a falar de missões
com os meus directores, que me ajudaram a fazer o discernimento. Por último
enviei o meu pedido ao Reitor-Mor que me destinou a Papua Nova Guiné, no Pacífico.
“Por que vai ao exterior
se na África precisamos tanto de missionários?” – foi a pergunta que muitos me
fizeram. De fato, a África precisa ainda de muitos missionários. Mas é também
verdade que minha Inspectoria-Mãe recebeu muito. Graças aos sacrifícios dos
missionários do Projeto África, o carisma salesiano já é florescente. Creio que
agora chegou o momento de compartilhar dos primeiros frutos já obtidos.
Estou realmente feliz por
ter sido enviado a Papua Nova Guiné, a este povo tão alegre e acolhedor. O que
me impressiona é que há tantas ilhas na Oceânia que esperam pelo presente de um
missionário que os ajude a aprofundar a Fé.
Para mim o início não foi
nada fácil: a comida e a cultura foram algumas das minhas experiências mais
duras. Foram muitas as noites passadas em claro! Agradeço ao ‘Curso de Novos
Missionários’, de Roma, que me preparou psicologicamente a enfrentar esse
choque cultural e ser realista perante o que me espera. Contar com um director
espiritual ajudou-me também a ver a realidade por outra perspectiva, diferente:
que nós, missionários, podemos fazer florescer o carisma salesiano também aqui.
Clérigo Stephen Musya
Maswili
SDB de Quénia

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