Eu era um
garotinho vivo e atento que, com permissão de minha mãe, ia às várias festas
campestres nas quais se apresentavam saltimbancos e ilusionistas. Punha-me
sempre na primeira fileira, atento aos movimentos com que procuravam distrair
os espectadores. Aos poucos, eu conseguia descobrir os seus truques; voltando
para casa, repetia-os por horas a fio. Com frequência, porém, os movimentos não
produziam o efeito desejado. Não foi fácil caminhar sobre aquela bendita corda
suspensa entre duas árvores! Quantas quedas, quantos joelhos esfolados! E,
muitas vezes, vinha-me a vontade de deixar tudo prá lá... Depois, recomeçava
suado, cansado e, às vezes, também angustiado. Depois, aos poucos, conseguia
equilibrar-me; sentia a planta dos pés descalços aderirem à corda; tornava-me
uma só coisa com os movimentos dos pés e, então, divertia-me contente repetindo
e inventando outros movimentos. Eis porque, quando falava aos meus meninos,
dizia-lhes: “façamos as coisas fáceis, mas façamo-las com perseverança”.
Eis aí a minha pedagogia essencial, fruto de muitas vitórias e de tantas outras
derrotas, com a obstinação que era minha característica mais marcante.
Assim
nasceu meu estilo de educar, sem palavras difíceis, sem grandes esquemas
ideológicos, sem referências a muitos autores ilustres. Assim nasceu a minha
pedagogia, aprendida nos campos dos Becchi, mais tarde nas ruas de Chieri e,
mais tarde ainda, nas prisões, nas praças, nas ruas de Valdocco. Uma pedagogia
que teve origem num pátio.
Alguns anos depois, demonstrei
coragem quando ao chegar a Chieri para continuar os estudos fui acolhido pelo
professor, diante de todos os estudantes, com uma frase muito entusiasmante:
“Este garoto ou é uma grande toupeira ou um grande talento”. Era para ficar
confuso ao extremo; mas recordo-me que sai bem com estas palavras: “Alguma
coisa pelo meio disso, senhor: sou um pobre jovem que deseja fazer o seu dever
e progredir nos estudos”.

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