quarta-feira, 5 de junho de 2013

Dom Bosco e os castigos

DOm BOSCO conta:
  
AMBIENTE DE LAR
Graças também à presença materna de minha mãe na antiga casa Pinardi (onde teve início a obra salesiana), havia um estilo simples de relações humanas, feito de calor paciente, compreensão e correção, em perfeito estilo de família. Com tantos em casa, a disciplina era necessária para que tudo não acabasse em confusão incontrolável. Disciplina reduzida ao mínimo, mas “acordos claros e amizade longa” como ela, em sua inata sabedoria popular, condensava as suas conclusões.

CASTIGO EDUCATIVO
Passados muitos anos e tendo às costas uma rica experiência de bons resultados, eu podia afirmar que “com os jovens, torna-se castigo o que se faz passar como tal”. Eu queria que se entendesse que o castigo deve servir para melhorar as coisas e não piorá-las. Uma breve privação de afeto, um olhar tristonho, uma atitude mais reservada e séria, uma palavrinha ao ouvido dita com doçura e paciência, eram meios dos quais me servia para corrigir e delimitar possíveis comportamentos inconvenientes.

Entre os jovens aceitos, nem todos eram como Domingos Sávio. Aconteceu certo dia que um pobre assistente, talvez não muito aceito pelos mais velhos, perdeu a paciência e acabou por distribuir sonoras chapadas na tentativamente de impor-se. Criou-se, então, um clima de surda resistência que podia acabar de um momento a outro numa perigosa forma de insubordinação descontrolada.

Todos esperavam que eu me pronunciasse; e o fiz depois das orações da noite, no momento do “boa-noite”. Como o rosto muito sério, passei a dizer qual era o nosso estilo de educação, manifestei a frustração provada ao saber que um deles fosse tratado tão duramente e que por sua vez tivesse cometido uma falta grave de respeito e de obediência para com quem era encarregado de manter a disciplina. Esclarecidas as coisas, terminei dizendo: “de um lado, jamais aconteçam insultos, de outro, jamais violências”. Dera o clássico golpe, um no cravo e outro na ferradura. Depois, fiz uma pausa, o meu rosto abriu-se num sorriso e retomei a minha fala: “Gostaria, pelo afeto que tenho por todos, fazer também o impossível... Lamento pela surra dada, mas, na verdade, não a posso desfazer”. Conseguira romper o gelo; todos riram, esperei que se fizesse novamente silêncio e desejei a todos o boa-noite.

A experiência ensinava-me que é muito mais fácil irritar-se, ameaçar, do que tentar persuadir com as boas maneiras. Era um puxar e soltar que, às vezes, cansava, mas eu sabia que certos temperamentos difíceis, rebeldes e descontrolados eu só podia vencer com a caridade, a paciência e a mansidão. Na prática, só se deixavam dobrar pela bondade, pelo coração que dialoga, que corrige com amor e delicadeza.

D. Bosco - P.Chávez

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