(ANS – Roma) –
O P. Angelo Botta, nascido em 1924 e missionário desde 1939 no Equador, guarda
por entre as suas memórias também algumas lembranças da próxima Bem-aventurada
Ir. Maria Troncatti, Conheceu-a passando pelas obras das Filhas de Maria
Auxiliadora durante o seu mandato de Inspetor, no Equador (1967-1973). Foi ele
quem celebrou a Eucaristia de Exéquias.
Quando foi que
conheceu a Ir. Maria Troncatti?
Conheci-a quando foi mandado às missões, no Equador, como Inspetor. A Sucúa
chegava-se de avião. Uma vez em terra, antes de chegar à Casa dos Salesianos,
passava-se na frente do hospital, cuidado pelas Filhas de Maria Auxiliadora e
ali, à porta, estava a Ir. Troncatti, sentinela vigilante e prontíssima. Nesse
tempo, já carregada também de achaques, se limitava ao acolhimento. Mas um
acolhimento digno de uma mãe!
Há algum episódio da
sua vida que recorda especialmente?
Lembrarei brevemente três.
O pranto que precede o regresso à missão, depois de alguns dias de permanência
em Guaiaquil, e a explicação que dá às coirmãs daquela comunidade: “Antes não
sabia o que era a missão”.
A fotografia do casebre que nos inícios funcionava como centro-missão e que
manda aos seus na Itália com a escrita: “Nesta cabana se encontra a
felicidade”.
A grande dor, muitos anos mais tarde, por ocasião do incêndio doloso que
destruiu a residência dos Salesianos, com o perigo de uma vingança cruenta por
parte dos Shuar que não queriam saber do seu convite ao perdão: “Mãe, não se
intrometa! Esta é uma partida de caça totalmente nossa!”.
A caridade incondicionada que a levou a doar totalmente a vida, com alegria e
sacrifício. Nunca se poupou, sequer quando a saúde já a tinha abandonado. Fê-lo
servindo a todos, sem distinção de raça e cultura, feliz quando podia colher
frutos de bem, mas respondendo com bondade generosa também à ingratidão.
Qual o aspecto do
carisma salesiano julga tenha ela maiormente encarnado?
A caridade, o amor, de que falei acima, ancorada nas colunas “salesianas” da
Eucaristia e de Maria Auxiliadora. Era apenas uma enfermeira diplomada.
Entretanto teve de trabalhar por muitos anos como cirurgiã, e com meios
rudimentares. Mas talhou e suturou invocando Jesus e a Auxiliadora, e as
operações resultavam exitosas também na selva.
Qual era o
relacionamento da Ir. Troncatti com os coirmãos salesianos?
Era o relacionamento de uma mãe dentro de uma família numerosa. Creio que seja
esta a expressão melhor. Representa, além disso, quanto tantas FMA foram para
os Salesianos empenhados no difícil trabalho das missões do Equador naqueles
primeiros árduos tempos, quando por vezes os missionários se sentiam perdidos e
inseguros: gestos e cuidados como os a eles oferecidos pela Ir. Troncatti e por
suas coirmãs confortavam, reanimavam, davam segurança.
Que sente na iminência
da sua beatificação?
Muita alegria, pela qual agradeço e bendigo a Deus. Na beatificação da Ir.
Troncatti vejo o reconhecimento oficial da santidade de um sem-número de FMA
que doaram com humildade a vida a Deus e aos mais pobres, de modo escondido e
feliz, naquelas nossas missões e em tantas outras espalhadas pelo mundo. Será
festa de muitas no paraíso, junto com ela! Enfim o primeiro grande milagre da
Ir. Troncatti, não registrado nos atos oficiais. Quando ela ia tomar aquele
último avião, fazia-o com a grande dor de deixar atrás a cidadezinha de Sucúa
dilacerada pela ameaça tanto de alguns “brancos” desconhecidos e escondidos que
queriam incendiar quanto restava da missão dos Salesianos, quanto de muitos
Shuar que abertamente ameaçavam vinganças cruentas. Pois bem, poucas horas
depois, em torno do seu féretro, inundado de orações e de lágrimas, explodiram
o perdão e a paz: Sucúa voltava a ser uma cidadezinha de irmãos cristãos.

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