quinta-feira, 18 de outubro de 2012

A ir. Lúcia entrega-se definitivame ao Senhor e aos jovens


Estamos com a Ir. Lucia Nhantumbo, Filha de Maria Auxiliadora,  que vai realizar a sua Consagração Perpétua ao Senhor  no próximo dia 21 de Outubro, na Missão de São José de Lhanguene. Será a Vigaria Geral do Instituto quem receba em nome da Madre Geral os Votos Perpétuos.
O Boletim Salesiano não pode deixar de passar este acontecimento e deslocou-se até à Namaacha, no Colégio Maria Auxiliadora onde a Ir. Lucia desenvolve a sua missão.

BS: Ir. Lucia, em breves palavras: de onde é que és, a família…?
Irmã: Sou da província de Maputo, concretamente do bairro do Jardim. Nascí, cresci no Bairro do Jardim. Viví ali toda a minha vida..

BS: A tua vocação salesiana surgiu em que lugar?
Irmã: Posso dizer que surgiu  no Bairro do Jardim, porque eu desde pequena frequentava o ambiente salesiano: na Paróquia, na Escola, no Oratório, Já tinha todo o ambiente, tinha todas as condições para crescer na vocação.

BS: O que te atraiu mais na vocação salesiana?
Irmã: Antes, eu via os padres, me recordo muito bem do P. Sebastião como fazia, depois do P. Adolfo, quando era mais crescida eu via como faziam as coisas… Mas a coisa que mais me marcou, quando era pré-adolescente e adolescente  foi no Oratório. Foi ver como as irmãs faziam e isso me chamou a atenção. Quando passei a estudar na Escola Dom Bosco me atraiu muito a posição e o testemunho da ir. Ana. Me chamava sempre a atenção quando nós chegássemos de casa para a escola, ela ali parada a acolher  cada uma, se alguém tivesse alguma coisa ela identificava e chamava àquela pessoa… Então, isso tudo começou a despertar  alguma coisa em mim. E eu dizia: quando eu crescer vou ser como aquela irmã!


BS: Vais fazer os Votos Perpétuos. Que pode significar isso para uma jovem ou um jovem como tu?
Irmã: Fazer a Profissão Perpétua´, posso dizer, que é um grande desafio, sobretudo nesta sociedade onde vemos que a sociedade oferece  muitas propostas. E os jovens se não têm uma orientação facilmente podem cair naquilo que a sociedade lhes oferece. Então, para mim, é um desafio e é uma alegria, porque a minha vida   tem que ser este testemunho, tem que dizer alguma coisa de modo que cative os outros jovens também   a procurar o sentido das próprias vidas.

BS: O que poderias dizer aos jovens, a uma jovem que sente esta inquietação vocacional?
Irmã: Primeiro, eu digo a este jovem, que não tenha medo de encarar esta situação. Se tem uma inquietação procure pessoas com as quais pode  partilhar e expressar aquilo que sente.  
Depois, é muito importante também a família. Se nós temos uma família, e esta família tem bases, tem princípios penso que também é um ponto de referência.
E também a própria oração. Se a gente não reza, não entra em contacto com Deus, não cria aquele espaço de silêncio, de escutar, então penso que é um bocadinho difícil.
É precisso não ter medo de encarar a situação e procurar alguém com a qual possa partilhar. Porque não é fácil tomar uma decissão sem contar com pessoas que de algum modo te podem acompanhar, te podem dar algum seguimento.

Com algumas meninas do Colégio de Maria Auxiliadora de Namaacha
BS: O que pode oferecer o carisma salesiano aos jovens de hoje em Moçambique?
Irmã: Primeiro, dizer que a situação é aquela que é. Os jovens não têm famílias, não têm seguimento. As famílias estão um bocadinho destruídas. Então, o carisma salesiano  vem realmente como uma resposta a este grande desafio. Porque o carisma está para a juventude. Então, se os jovens nos nossos ambientes  encontram aquele salesiano, aquela salesiana, disponível para acolhé-lo, conversar, partilhar, para falar de coisas da vida, então penso que é uma resposta. Porque o jovem está à procura de alguém para falar, de alguém que lhe possa dizer alguma coisa, de alguém que lhe possa acompanhar. O nosso carisma é realmente para isso.

BS: Última pergunta: Votos Perpétuos diante de Jesus. Vale a pena seguir a Jesus?
Irmã: Eu digo que sim vale a pena quando realmente a gente não se engana buscando assim uma resposta por buscar. Mas, se realmente a gente se concentra e pensa em todo o caminho que fez, em todas as propostas que tem, e pensa de que dar  a sua vida para salvar muitas almas,  eu penso que vale a pena. Estou feliz. Primeiro tinha um bocadinho de receio, um bocadinho de dúvida, mas com os jovens eu aprendi a dizer que sim,  vale a pena dar a minha vida por causa deles. Estou feliz. Estou consciente. Mas continuo pedindo as vossas orações porque não é fácil. Sou jovem, no meio duma sociedade que continua oferecendo propostas. Contudo não digo que já cheguei à meta. Continuo precisando de pessoas que me acompanhem, que me animem, porque é assim. Mas estou feliz e que vale a pena!

BS: Uma última mensagem para a Família Salesiana.
Irmã: Como Família salesiana temos que apostar muito na nossa pastoral, não tanto para atrair vocações, mas para ajudar os jovens a decidir-se, a dar um sentido à própria vida, seja na vida consagrada, em qualquer vocação. Mas que a gente possa formar realmente os jovens para servirem à sociedade, porque acredito eu que se a sociedade tiver jovens , pessoas formadas, então muitas coisas que vemos hoje em dia, podem mudar.
Então nós como Família Salesiana devemos de apostar muito na assistência, na presença, no acompanhamento dos jovens, não refugiarmo-nos somente no trabalho. Mas que percebamos que a pessoa é importante acima de tudo.
BS: Muito Obrigado!

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